DIREITO
Atuação da advocacia criminal é tema de palestra na XXX Semana do Empreendedorismo da FEAPA
Evento discute papel estratégico da advocacia criminal e convida estudantes a refletirem sobre os dilemas da profissão
Os advogados criminalistas Luana Hage Leal Viegas e Amilton Amorim, integrantes do escritório Sá Souza Advogados, ministram, nesta quarta-feira (30), uma palestra com o tema “Crime organizado e atuação do advogado”, parte da programação da XXX Semana do Empreendedorismo da Faculdade de Estudos Avançados do Estado do Pará (FEAPA), em Belém. O evento, que chega à sua 30ª edição, tem como tema central “COP30: Desafios e Transformações no Estado do Pará”, e busca integrar debates acadêmicos e profissionais em diferentes áreas do conhecimento.
A palestra abordará os riscos, as exigências técnicas e o preparo emocional exigido dos advogados que atuam em processos relacionados ao crime organizado. Para Luana Hage, eventos como este desempenham um papel formativo importante. “São palestras sobre temas diversos e atuais que despertam nos estudantes uma visão crítica e atualizada sobre questões específicas, fomentando o aprendizado e a qualificação profissional”, afirma.
Além do aspecto técnico, o encontro também propõe reflexões sobre os desafios éticos da profissão, especialmente em contextos sensíveis. “O papel do advogado é fundamental, pois é quem defende o acusado. Todavia, atualmente, atuar nesse tipo de acusação é delicado, pois muitas vezes a acusação se volta contra o próprio advogado, promovendo investigações e processos criminais contra defensores, os acusando de integrar a organização criminosa que seus clientes integram”, alerta Luana.
Amilton Amorim destaca que a atuação em casos de crime organizado demanda do advogado não apenas domínio do direito penal, mas também uma compreensão ampliada dos efeitos da acusação no contexto empresarial. “Quem atua na área da defesa precisa entender que a análise do caso não é direta como em outros delitos. Muitas vezes, há impacto direto no ambiente empresarial do acusado, com imputações de lavagem de dinheiro, corrupção ou ilícitos tributários”, explica. “Por isso, o advogado precisa dominar a legislação penal, mas também ter uma visão de risco corporativo, conectando teoria, jurisprudência e prática”.
Ele reforça o papel da formação jurídica na preparação emocional dos profissionais. “A educação jurídica fornece confiança, clareza e coragem para a tomada de decisões. Essa formação é o que torna possível a leitura estratégica do cenário criminal, ajudando o advogado a administrar riscos e a lidar com dilemas que não se restringem à liberdade do acusado, mas também ao bloqueio de patrimônio e à proteção da imagem”, pontua Amorim.
“Eventos como este são valiosos porque provocam a reflexão e incentivam os estudantes a entenderem que a advocacia criminal vai além da técnica – é, também, uma missão de coragem, compromisso ético e preparo constante para lidar com os desafios do tempo presente”, conclui Luana.



