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SAÚDE

Exaustão materna: quando o cansaço deixa de ser normal

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Sobrecarga mental, culpa e pressão emocional têm levado cada vez mais mães ao esgotamento físico e psicológico

No mês em que se celebra o Dia das Mães, cresce a atenção para um tema que tem se tornado cada vez mais presente na vida de muitas mulheres: a exaustão materna. Longe de representar apenas o desgaste natural da rotina, o burnout materno vem sendo reconhecido como uma condição séria, marcada pelo esgotamento físico, emocional e mental decorrente da sobrecarga contínua de responsabilidades.

Um levantamento nacional realizado pela Kiddle Pass, em parceria com a B2Mamy, reforça a dimensão do problema. A pesquisa, que ouviu 1.868 mães brasileiras, revelou que nove em cada dez apresentam sinais de burnout parental, termo que descreve um estado persistente de exaustão provocado pelas demandas intensas e ininterruptas do cuidado. O estudo identificou ainda que a pontuação média de esgotamento das participantes foi de 20,82, índice considerado elevado pela escala utilizada, indicando que mais da metade das mães já enfrenta níveis moderados ou graves de desgaste. Os resultados mostram que o burnout materno deixou de ser um episódio isolado e passou a refletir um fenômeno crescente, impulsionado pela dificuldade de conciliar múltiplas funções sem apoio adequado.

A pressão para equilibrar trabalho, cuidados com os filhos, tarefas domésticas, relacionamentos e vida pessoal faz com que muitas mulheres ultrapassem seus próprios limites. Entre as consequências mais comuns estão ansiedade, irritabilidade, alterações no sono, sensação constante de culpa e, em alguns casos, sintomas depressivos.

Para o psicólogo da Hapvida, Fabricio Vieira, o problema costuma se desenvolver de forma silenciosa e, muitas vezes, é naturalizado. “Muitas mulheres cresceram ouvindo que ser mãe exige renúncia total e que o cansaço faz parte da maternidade. O problema é quando esse desgaste deixa de ser pontual e passa a comprometer a saúde mental, emocional e até física da mulher”, afirma.

Segundo o especialista, a sobrecarga mental é um dos fatores mais marcantes no burnout materno. “A mãe geralmente assume múltiplas funções ao mesmo tempo e permanece em estado constante de alerta, tentando atender às necessidades de todos ao redor. Isso gera um desgaste emocional muito intenso”, explica.

Outro elemento frequente é a culpa materna, alimentada pela sensação de nunca estar fazendo o suficiente. “Existe uma pressão social muito forte em torno da maternidade idealizada. Muitas mães se cobram por não conseguirem equilibrar tudo perfeitamente, e isso contribui diretamente para sentimentos de frustração, insuficiência e esgotamento”, destaca Vieira.

O psicólogo reforça que buscar ajuda não deve ser interpretado como sinal de fraqueza, mas como um ato de cuidado. “Cuidar da saúde mental é fundamental. A mãe também precisa ser acolhida, descansar e entender que não precisa carregar tudo sozinha. Reconhecer os próprios limites é uma forma de autocuidado”, orienta. Ele ressalta que identificar sinais precoces e procurar apoio psicológico pode evitar o agravamento do quadro e melhorar significativamente a qualidade de vida das mães e de toda a família.

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