SAÚDE
Pilates para jovens: modinha da internet ou necessidade da nova geração?
O Pilates tem conquistado cada vez mais jovens nas redes sociais, mas por trás da tendência existe uma necessidade real ligada à saúde física e mental dessa geração.
O Pilates virou tendência entre jovens nas redes sociais. Vídeos com rotinas saudáveis, estética minimalista e foco no autocuidado têm impulsionado a prática, antes mais associada ao público adulto. Mas afinal, trata-se apenas de mais uma modinha da internet?
Para a fisioterapeuta e instrutora de Pilates, Dayara Costa, a resposta é clara: o movimento vai muito além de uma simples tendência.
“Não parece só modinha, é muito mais uma resposta ao estilo de vida atual do que uma tendência passageira”, afirma.
Segundo a especialista, o crescimento do Pilates entre jovens está diretamente ligado às mudanças no comportamento dessa geração. O uso excessivo de celulares, longos períodos sentados e a falta de consciência corporal têm antecipado problemas que antes eram mais comuns em pessoas mais velhas.
“Hoje, é muito comum ver jovens com dores posturais causadas pelo uso excessivo de celular e longos períodos sentados. O Pilates atua fortalecendo a musculatura profunda, melhora o alinhamento corporal e ensina o corpo a se sustentar melhor no dia a dia. Não é só estética, é prevenção”, explica.
Além dos benefícios físicos, a prática também tem impacto direto na saúde mental — um dos temas mais discutidos entre os jovens atualmente.
“O Pilates envolve respiração, controle e concentração, o que contribui diretamente para a redução da ansiedade e do estresse. Durante a aula, o aluno precisa estar presente, atento ao movimento, e isso ajuda a desacelerar a mente e melhorar o foco”, destaca Dayara.
A especialista reforça que o que aparece nas redes sociais não criou essa demanda, apenas deu visibilidade a uma necessidade que já existia.
“Os jovens passam horas no celular, no computador, com pouca consciência corporal e cada vez mais queixas precoces, como dor lombar, cervical, ansiedade e fadiga. O Pilates funciona como um ‘antídoto’ moderno para isso, trazendo corpo funcional, conexão mente-corpo e eficiência com baixo impacto.”
Apesar dos benefícios, a prática exige atenção, principalmente quando envolve adolescentes e jovens em fase de desenvolvimento.
De acordo com Dayara, um dos principais erros é iniciar sem orientação adequada.
“O corpo ainda pode estar em desenvolvimento, com alterações hormonais e desequilíbrios musculares. Por isso, não dá para simplesmente replicar um protocolo padrão. É fundamental uma avaliação inicial bem feita”, alerta.
Outro ponto importante é a execução correta dos exercícios e a progressão gradual.
“Existe uma tendência de querer evoluir rápido ou comparar com o que vê nas redes sociais. Só que pular etapas compromete o resultado e aumenta o risco de sobrecarga, principalmente na coluna e nas articulações.”
Ela também chama atenção para casos de hipermobilidade, comuns nessa faixa etária, que podem dar uma falsa impressão de flexibilidade.
“Às vezes o aluno parece flexível demais, mas na verdade falta estabilidade. Por isso, o acompanhamento profissional faz toda a diferença.”
Por fim, a especialista destaca um fator essencial para que o Pilates realmente traga resultados: a consistência. “Não adianta fazer uma aula isolada. Para ter benefícios reais, é preciso manter frequência. É isso que vai gerar mudança postural, ganho de força e impacto positivo na saúde mental.”
Diante desse cenário, o Pilates deixa de ser apenas uma trend das redes sociais e se consolida como uma resposta às demandas da nova geração — que busca não só estética, mas equilíbrio, saúde e qualidade de vida.




