SAÚDE
Estresse pode afetar a alimentação e levar tanto à compulsão quanto à perda de apetite
Especialistas explicam como ansiedade e impactos emocionais alteram o comportamento alimentar
A relação entre emoções e alimentação é mais comum do que se imagina. Situações de estresse, ansiedade ou impacto emocional podem alterar significativamente a forma como as pessoas se relacionam com a comida. Enquanto alguns passam a comer em excesso como forma de aliviar tensões, outros simplesmente perdem o apetite e acabam deixando de se alimentar adequadamente.
De acordo com a nutricionista Lorena Begot, da Hapvida, esse comportamento é uma resposta do corpo a estados emocionais intensos. “A alimentação emocional acontece quando a comida passa a ser utilizada como uma forma de lidar com sentimentos, especialmente em momentos de ansiedade, estresse ou frustração. Nesses casos, a pessoa muitas vezes come sem perceber a quantidade ou mesmo sem sentir fome física”, explica.

Segundo a especialista, alimentos ricos em açúcar e gordura costumam ser os mais procurados nesses momentos, justamente por proporcionarem uma sensação rápida de prazer. “Esses alimentos estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar no cérebro, o que faz com que a pessoa busque esse tipo de comida como uma forma de conforto”, afirma.
No outro extremo, há quem reaja ao estresse de maneira oposta, perdendo completamente o apetite. Para o psicólogo Fabrício Vieira, também da Hapvida, essa reação também é uma resposta emocional do organismo. “Quando alguém enfrenta situações de forte impacto emocional, o corpo entra em estado de alerta. Isso pode reduzir a sensação de fome ou até provocar náuseas e desconforto, fazendo com que a pessoa evite a alimentação”, explica.

O psicólogo destaca que, tanto no caso da compulsão quanto na falta de apetite, é importante observar quando essas mudanças passam a interferir na saúde e na rotina. “Quando a relação com a comida passa a ser guiada principalmente pelas emoções e não pelas necessidades do corpo, é um sinal de que pode haver um desequilíbrio emocional que merece atenção”, alerta.
Para Lorena, o primeiro passo é desenvolver consciência sobre os próprios hábitos alimentares. “É importante tentar identificar se a fome é física ou emocional. Manter uma rotina alimentar equilibrada, respeitar os horários das refeições e buscar apoio profissional quando necessário são atitudes que ajudam a restabelecer uma relação mais saudável com a comida”, orienta.
Já do ponto de vista psicológico, Fabrício reforça que cuidar da saúde mental também é essencial para manter o equilíbrio alimentar. “Estratégias como atividade física, momentos de descanso, técnicas de respiração e acompanhamento psicológico podem ajudar a lidar melhor com o estresse e reduzir o impacto das emoções sobre a alimentação”, conclui.



