ECONOMIA PARAENSE
Tarifa dos EUA atinge em cheio o pescado do Pará e ameaça empregos
A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pela gestão Trump, já apresenta efeitos negativos no Pará. O principal impacto recai sobre a cadeia produtiva do pescado, especialmente na exportação do peixe pargo, considerado o carro-chefe das vendas para o mercado norte-americano. Empresários do setor relatam contratos suspensos, barcos atracados e o início de demissões.
Barcarena, Vigia e Bragança — cidades com forte tradição pesqueira — já sentem o peso da medida. “Exportávamos toneladas semanais de pargo para os EUA. Agora, tudo parou. Estamos sendo obrigados a demitir”, afirmou um empresário ouvido pelo Correio Paraense. Segundo ele, os prejuízos podem ultrapassar R$ 5 milhões por mês, afetando diretamente pescadores, processadores e transportadores.
O governo estadual ainda não anunciou medidas emergenciais para o setor, mas a Federação das Indústrias do Pará (FIEPA) já articula com o Ministério da Pesca um plano de redirecionamento comercial para a Europa e o Caribe. Especialistas alertam, porém, que mudar o foco das exportações exige tempo, adaptação e certificações específicas — algo que pode demorar meses.
Enquanto isso, comunidades ribeirinhas e centenas de trabalhadores vivem dias de incerteza. A situação reacende o debate sobre a vulnerabilidade do Pará diante de sanções externas e a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a economia pesqueira regional, com maior apoio logístico, tecnológico e de mercado.



