BELÉM
Exposição “Trajetórias” promove debate sobre colecionismo e amplia acesso à arte
Roda de conversa no Centro Cultural Banco da Amazônia destacou o colecionismo como ferramenta de acesso, preservação e fortalecimento do mercado artístico
A exposição Trajetórias, em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia, foi cenário, neste sábado (18), de uma roda de conversa que reuniu colecionadores e visitantes em torno de um tema ainda restrito ao grande público: o colecionismo de arte. O encontro ressaltou não apenas o valor financeiro das coleções, mas, principalmente, sua relevância cultural e formativa. A exposição Trajetórias segue aberta à visitação até o dia 14 de junho, com entrada gratuita.
Com mediação da curadora Vânia Leal, o debate contou com a participação dos colecionadores Josemar Antônio e Eduardo Vasconcelos, promovendo um intercâmbio entre diferentes territórios e experiências no universo das artes visuais.
“É muito bacana termos dois territórios se conectando hoje, Bahia e Pará. Isso gera um enriquecimento de conhecimento”, destacou Vânia Leal, que também assina a curadoria da exposição. Para ela, o encontro reforça a importância de aproximar o público da arte e desmistificar a ideia de que o colecionismo é inacessível.
Durante a conversa, os participantes compartilharam trajetórias pessoais que evidenciam como o interesse pela arte pode surgir de forma espontânea e se transformar em uma prática consistente ao longo da vida. Para Josemar Antônio, o vínculo com o colecionismo começou ainda na infância. “Eu acredito que a vida do colecionador começa lá atrás. Ganhei uma gravura de presente e, a partir disso, comecei a adquirir outras. Foi uma paixão que nasceu em mim”, contou.
Ele também destacou que o momento de consolidação de uma coleção vai além do número de obras. “Quando a parede da nossa casa fica tomada e já não temos mais espaço, talvez seja aí que percebemos que nos tornamos colecionadores”, afirmou, em tom descontraído.
Já Eduardo Vasconcelos ressaltou que sua relação com a arte se desenvolveu mesmo sem uma formação acadêmica na área. “Sempre gostei de arte, frequentava museus e centros culturais, mesmo vindo de uma família que não tinha esse hábito. Em determinado momento, decidi que queria ter uma obra em casa, e isso foi o início de tudo”, relembrou.
Com um acervo que hoje reúne centenas de obras, o colecionador paraense também destacou o papel ativo de quem coleciona. Segundo ele, adquirir obras é também uma forma de incentivar artistas e movimentar o sistema artístico.
A curadora Vânia Leal reforçou esse olhar ao destacar que o colecionador assume, muitas vezes, uma função próxima à de um curador. “O colecionador desenvolve um olhar apurado, faz escolhas, constrói narrativas e, muitas vezes, percorre diferentes lugares em busca de obras. É um processo que envolve sensibilidade, pesquisa e dedicação”, explicou.
Ela também enfatizou que a prática pode ser mais acessível do que se imagina. “Muita gente acredita que não pode colecionar por causa do valor financeiro, mas isso não é necessariamente verdade. É possível começar aos poucos, a partir do interesse pessoal”, pontuou.
A iniciativa integra a programação da exposição, que reúne obras da coleção de Eduardo Vasconcelos e apresenta um panorama de mais de 60 anos da arte contemporânea produzida no Pará, com mais de 130 artistas.
O psicólogo e amante das artes, Carlos Magno, não poupou elogios ao espaço e à exposição. “A exposição está linda. Muito feliz que agora Belém pode contar com um espaço à altura do que ela merece, principalmente para nós, amantes das artes. Saio daqui muito contente com a fase linda que a arte está vivendo na nossa capital”.
Para o Banco da Amazônia, segundo a Coordenadora do Centro Cultural, Claudia Aguilla, a exposição “Trajetórias” vai muito além do acervo reunido na mostra. “A programação educativa está muito rica, o que pode ser comprovado neste evento, onde foi possível saber um pouco mais sobre o papel dos colecionadores no mercado de arte, que abarca todo um sistema, envolvendo artistas, colecionadores, galeristas e o público em geral que consome arte. E o Banco da Amazônia, por meio do Centro Cultural, estimula esse círculo da economia criativa, que também promove o desenvolvimento regional”, destacou.



