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AMAZÔNIA

Cartilha traz técnicas sobre plantações que mesclam culturas para preservar espécies nativas da Amazônia 

Lançado nesta quarta-feira (22), material traz resultados de projeto que teve investimento de R$ 7 milhões da Norte Energia no manejo de 45 mil mudas

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A recomposição da vegetação na Amazônia garante a diversidade da flora, mas também tem impactos profundos na fauna da região. Por isso, são cada vez mais fundamentais projetos de reflorestamento, de pesquisa e desenvolvimento e de orientação da população sobre formas de preservar espécies e, ainda sim, tirar sustento da terra.     

Para garantir o equilíbrio desse ciclo e a restauração da floresta de uma forma mais ampla, foi lançado, nesta quarta-feira (22), o Manual de Implantação de Sistemas Agroflorestais na Volta Grande do Xingu, na região Sudoeste do Pará. Ele reúne técnicas para aprimorar a coleta de sementes, a produção de mudas e o plantio de espécies nativas, mesclando culturas e tipos de vegetação, de forma a evitar que uma interfira no crescimento e no adequado ambiente da outra.  

O material é um legado de disseminação de conhecimento e produção científica em favor da comunidade e compartilha a experiência da área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, sobre o manejo de 45 mil mudas, de aproximadamente 35 espécies nativas. Entre as contempladas está a do camu-camu (Myrciaria dubia), fruta que tem 20 vezes mais vitamina C que a acerola, por exemplo, e ainda é pouco conhecida dos brasileiros. Além de seus possíveis usos na indústria farmacêutica e cosmética, ele ainda é alimento para os peixes.  

Os frutos dessa e de outras espécies caem em pedrais e na água do rio, alimentando os animais e criando um ciclo de manutenção desse ecossistema. O plantio em áreas adversas se mostrou de grande importância para garantir o equilíbrio da vida na região.     

Parte das mudas de manejo foi doada para a Universidade Federal do Pará (UFPA), para as comunidades locais e para a Secretaria de Meio Ambiente do município de Vitória do Xingu (PA), onde fica a UHE Belo Monte, para o plantio. O objetivo é que esse grupo de pessoas e instituições tenha acesso a informações que fomentem a produção sustentável. A Norte Energia investiu R$ 7 milhões no projeto, realizado em parceria com a Biocev. 

Moradores das comunidades atendidas exaltaram os benefícios do programa e conhecimento implementados não só na floresta, mas também nas roças de quem vive da agricultura familiar.  

“Para nós, é algo muito bom. Replantar é uma coisa que está nos ajudando. Eles vão até lá, ensinam a gente a cuidar, a plantar.  A gente nunca teve essa oportunidade antes”, comenta José Doca, que vive na comunidade Kaituká. “Eu mesmo plantei 250 pés de seringa, açaí e outras árvores, tanto na terra como nas ilhas”, completou ele. 

A cartilha foi lançada durante o evento Caminhos para a Restauração Ecológica na Volta Grande do Xingu, que reuniu especialistas, organizações ambientais, autoridades e membros de comunidades locais comprometidas com a preservação e revitalização dos ecossistemas. 

O que é o P&D

Desenvolvido pela Norte Energia e regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento PD-07427-0221/2021 foi intitulado “Metodologias inovadoras de Restauração Ecológica com ênfase no enriquecimento nutricional para a fauna do Trecho de Vazão Reduzida da UHE Belo Monte: integrando modelos bioeconômicos à conservação dos ecossistemas amazônicos”. 

O projeto, executado pela Biocev Serviços de Meio Ambiente e pela Fundação do Instituto de Biociências (Fundibio), em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), obteve excelentes resultados. 

Texto: Camila Emilia Barros 

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