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SAÚDE

Como tratar a codependência?

Em um processo de aceitação, conhecimento, fé e esperança, famílias buscam um remédio em reuniões de autoajuda para tratar uma doença desconhecida, mas muito diagnosticada

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Foto: Reprodução | Fonte: Correio Paraense

Desconhecida, mas muito diagnosticada, a codependência é uma doença desencadeada por causa de um amor muito grande, ou até mesmo, por um amor adoecido. O codependente vive em função de uma outra pessoa, que não necessariamente é um dependente químico. Mas essa dedicação exagerada que vem atrelada a necessidade do controle, pode desencadear várias outras doenças, inclusive físicas como psoríase, gastrite, estresse e até câncer.

“A codependência é na verdade um transtorno emocional, porém ele pode desencadear várias doenças, físicas inclusive. Porque a pessoa vive em função de uma outra pessoa (…) pode ser em função de um marido, de um amigo, pode ser função dos pais, de filhos. Codependente é aquela pessoa que quer controlar tudo, quer controlar o outro e acaba adoecendo emocionalmente”, explica Mônica Azevedo, diretora da Clínica Médica Voo de Liberdade.

Lilian Pessoa, 59 anos, convive com essa situação. Ela viu seu filho entrar no caminho da dependência química e acabou adoecendo junto com ele. “A necessidade de fazer todas as vontades e de querer controlar me fez conhecer uma dor que nem sonho em ter que passar novamente, por conta de uma dependência emocional que eu não sabia que tinha”, diz ela. Quando meu filho tinha 15 anos descobri que ele usava maconha e já foi difícil. Apesar de passar no vestibular em Belém, ele foi morar com o irmão em São Paulo. Durante esse período, ele se afundou ainda mais… Eu eu só fui saber quando ele retornou para Belém, após dois anos e meio”.

Sabendo o que o filho estava passando, Lilian buscou conhecimento e descobriu que era uma codependente através de um grupo de autoajuda. “Cada vez que a doença dele piorava, a minha também, porque a doença caminha junto na codependência. Foi quando eu tive conhecimento para lidar com a situação. Sabia que eu era impotente perante a doença e fiz a entrega. Foi quando ele ficou muito mal porque eu comecei a dizer os nãos”, conta.

A Busca pela independência emocional

Assim como Lilian, várias pessoas e famílias passam pelo mesmo processo. Uma vez por semana, histórias são compartilhadas em reuniões na Clínica Voo de Liberdade, seja de quem caminha há anos ou semanas. Grupos de familiares se reúnem para vivenciar um momento de partilha, onde falam das suas dores, medos e anseios e com a ajuda do outro tem um retorno, principalmente de quem já passou pela mesma situação, com o intuito de ajudar a sarar uma dor que muitas pessoas não sabem nem como explicar.

“Para tratar a codependência, o primeiro passo é aceitar que tem a doença, entender que há uma diferença entre cuidar e controlar. Em seguida, buscar conhecimento para que se imponha limites a si mesmo, pois o codependente possui os mesmos sintomas que o dependente. Não há como mudar fazendo as mesmas coisas, e mesmo assim, acreditar que vai ter resultados diferentes”, explica Mônica.

“Eles participam de reuniões semanais para poder aprender a lidar, então a gente faz um trabalho de conscientização, de elevação de consciência deles pra que eles entendam que eles não vão conseguir controlar e que essa forma de tentar fazer isso, só prejudica o processo, porque o outro não cresce, o outro não aprende a viver”, comenta Mônica, especialista em dependência química, que mesmo com as reuniões no espaço encaminha os familiares para outros grupos de autoajuda, como o Amor Exigente.

Há 7 anos, o filho de Lilian era internado da clínica, através de um resgate dentro de uma lanhouse, onde ele morava. Hoje sóbrio, eles caminham juntos. “A gente ficou caminhando juntos. Hoje coordeno o grupo online Amor Exigente e ele coordena o Grupo de Sobriedade Lar de Maria. A gente trabalha a cada dia pra ficar cada vez melhor”.

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