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SAÚDE

O que se sabe até o momento sobre a doença da Urina Preta

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Foto: Marcelo Moreira/Rede Amazônica / Fonte: O Liberal

Ainda não se sabe qual é a toxina que desencadeia a Síndrome de Haff, pois a doença é rara e há poucas pesquisas dedicadas ao assunto. O que leva os pesquisadores a concluírem que se trata de uma toxina é o fato de que apesar de passar por cozimento ou fritura em altas temperaturas, ela resiste. Ou seja, agentes biológicos vivos como bactérias ou vírus não resistiram a essas condições. Já as toxinas podem ser termo resistentes. “Há algumas suspeitas, mas a toxina que causa a doença ainda é desconhecida. Existe uma grande dificuldade para identificá-la, pois são moléculas muito pequenas e precisa ter todo um aparato científico, com equipamentos adequados para fazer a detecção. Não é algo simples”, conta o coordenador do Laboratório de Fisiologia e Toxinas Animais da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Joacir Stolarz de Oliveira.

Até mesmo o Center for Disease Control e Prevention (CDC), órgão equivalente à Vigilância Sanitária nos Estados Unidos, conduziu uma investigação para tentar identificar a substância causadora da doença após o surgimento de casos em solo americano, mas não chegaram a resultados conclusivos. A literatura médica registra casos tanto de consumo de pescado de água doce quanto salgada, de peixes ou crustáceos.

Os indícios também apontam para o próprio pescado, e não seu manuseio, como origem do problema. “Tudo indica que essa toxina vem de um acúmulo na carne desses peixes, provavelmente ocasionado pela sua alimentação. Não sabemos se é um fator ambiental, causado pela proliferação de algum tipo de alga”, analisa o biólogo. Ele cita como exemplo a Cinguatera, doença causada pela Cinguatoxina, presente na carne de alguns peixes tropicais comuns na América Central, principalmente na região do Caribe.

O pesquisador manifesta o interesse de contato com a Vigilância Sanitária para possível coleta de material para análise. “Seria interessante iniciar uma pesquisa, colher material, ir até o local onde as espécies foram pescadas para levantar mais informações”, solicita Stolarz.

A Síndrome de Raff foi identificada pela primeira vez em 1924, na Alemanha. Desde então, diversos casos tiveram registro pelo mundo, tendo em comum apenas sua origem no consumo de peixes ou crustáceos. Entre os sintomas estão as dores intensas nos músculos, que se assemelham a câimbras, enjoos, vômito e a já conhecida urina escurecida, em um tom que se assemelha ao guaraná. Pessoas que consumiram pescado e apresentaram este quadro nas horas seguintes devem se dirigir a um hospital para atendimento.

Veja algumas recomendações para os consumidores, segundo Nota Técnica da Secretaria Municipal de Saúde de Santarém.

1 – No momento da compra do pescado, o consumidor deve observar se o peixe apresenta olhos brilhantes e salientes, guelras de um vermelho vivo, odores característicos de rio ou mar e pele firme;

2 – Verificar as condições de acondicionamento do pescado, que deve sempre ser feito em gelo;

3 – Comprar o pescado em locais com garantia da procedência;

4 – Após consumo, observar dores musculares que começam na região cervical (atrás do pescoço), fortes câimbras nos ombros, braços e pernas, enjoo e vômito, a coloração da urina. Estes sintomas são um sinal de alerta. Busque atendimento médico!

5 – A pessoa deve se manter hidratada, pois a rabdomiólise – degeneração da musculatura – afeta o funcionamento dos rins e causa a urina preta.

6 – O uso de antibiótico não é recomendado, pois se trata de um envenenamento por toxina.

7 – Em Santarém, o local de atendimento de referência para casos suspeitos de Síndrome de Haff é o Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino.

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