Conecte-se conosco

BELÉM

Cores, identidade e infância: oficina no Centro Cultural Banco da Amazônia transforma arte em ferramenta antirracista

Publicado

sobre

No silêncio concentrado de mãos que desenham e escrevem, crianças deram forma, na manhã deste domingo (26), a ideias que atravessam gerações: identidade, pertencimento e respeito. A cena ocorreu no Centro Cultural Banco da Amazônia, durante a “Oficina de Desenho e Escrita: representações negras nas artes”, conduzida pelo coordenador educativo Emerson Caldas.

A atividade integra a programação da exposição “Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense”, que segue aberta até 14 de junho, sob curadoria de Vânia Leal.

Mais do que um espaço de criação, a oficina se transformou em um ambiente de escuta e aprendizado coletivo. Entre lápis, papel craft e referências visuais, crianças traduziram em traços e palavras suas percepções sobre a presença negra na Amazônia e na formação do Brasil.​

Foi o caso de João Inácio, de 8 anos, que desenhou um barco com a bandeira do Brasil, e de João Heitor, de 11, que representou um mangue habitado por pessoas negras. Os dois participaram da atividade levados pelo pai, o psicólogo Aldo Brito, de 56 anos. “A gente não pode perder essas oportunidades de elevar o nível cultural das nossas crianças. Hoje o mundo está muito conectado na internet, muito descartável. É importante sair um pouco disso para entender melhor a realidade estruturante do nosso país”, afirmou.

A iniciativa também despertou sonhos e reforçou vocações. A pequena Angelina Santos, de 9 anos, que já diz querer ser desenhista, encontrou na oficina um espaço de estímulo. O pai, o barbeiro Bruno Santos, de 27 anos, destacou a importância do tema. “Essa oficina é muito importante para que eles possam mergulhar nesse universo cultural e debater sobre um tema relevante, que é a questão racial. É um tema que não deveria ser evitado. Precisa ser exposto e discutido”, disse.

Para muitas famílias, o encontro representou também acesso à cultura. O professor Caio Fanha, de 38 anos, participou ao lado da esposa e das duas filhas. “É uma oportunidade muito interessante. A gente fica feliz com essas iniciativas que democratizam a arte e a cultura para as nossas crianças”, comentou.

Segundo Emerson Caldas, a oficina partiu da obra “Vir a Ser”, do artista Maurício Igor, como ponto de reflexão. A proposta foi provocar, desde cedo, uma leitura crítica sobre identidade negra e sociedade brasileira. “As artes visuais podem ser esse espaço de criação e transformação do presente e do futuro. As crianças produziram desenhos, escreveram frases, falaram sobre racismo e respeito às diferenças. São questões fundamentais que precisam ser trabalhadas desde a infância”, explicou.

A gerente de Marketing, Comunicação e Promoção do Banco da Amazônia, Ruth Helena Lima, destacou o papel da iniciativa no fortalecimento da cultura e da cidadania. “A realização da oficina reforça o compromisso do Banco da Amazônia com a valorização da cultura e com a formação cidadã desde a infância. Ao promover atividades como essa, dentro do Centro Cultural Banco da Amazônia, nós ampliamos o acesso à arte e estimulamos reflexões fundamentais, como a representatividade e o respeito à diversidade. É muito significativo ver famílias participando juntas, crianças criando, se expressando e entrando em contato com temas tão importantes para a construção de uma sociedade mais justa e consciente. Acreditamos que investir em cultura é também investir no futuro da nossa região”, defendeu.

Ação especial aproxima público das exposições

O Centro Cultural Banco da Amazônia também lançou uma ação especial para aproximar ainda mais o público de sua programação: quem passar a seguir o perfil @bancoamazoniacultural no Instagram garante um presente exclusivo. A campanha é válida apenas para novos seguidores, que devem comparecer ao espaço até o dia 3 de maio, das 10h às 16h, e apresentar o perfil na recepção para retirar o brinde.

A iniciativa acontece em meio a uma agenda ativa de exposições, como “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, “Trajetórias: arte contemporânea paraense (1959–2026)” e “Uma Belém no Olhar de Alguém”, reforçando o convite para que o público vivencie a arte e a cultura amazônica de forma ainda mais próxima.

Continue lendo
Propaganda
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Fonte de dados meteorológicos: Wetter 30 tage
Publicidade

Copyright © 2021 Correio Paraense todos os direitos reservados.