AMAZÔNIA
Mesa-redonda debate processos curatoriais e bastidores da arte contemporânea em Belém
O Centro Cultural Banco da Amazônia promove, nesta quarta-feira (29), às 17h, a mesa-redonda “Ações curatoriais”, dentro da programação da exposição “Uma Belém no Olhar de Alguém”, que entra em seus últimos dias de visitação. A mostra segue aberta ao público até o dia 3 de maio.
Com curadoria do artista visual Emanuel Franco, a exposição reúne 35 fotografias de 21 artistas e propõe um percurso visual por diferentes perspectivas de Belém, em homenagem aos 410 anos da capital paraense. As imagens transitam entre paisagens, cenas urbanas e detalhes do cotidiano, evidenciando a diversidade de olhares sobre a cidade. “Essa produção fotográfica é extremamente relevante no nosso estado e merece ser cada vez mais valorizada”, destaca o curador. A mesa-redonda também contará com a participação de Deyseane Ferraz, pesquisadora e autora do texto curatorial da mostra.
A curadoria é fundamental para dar sentido e unidade a uma exposição. Cabe ao curador não apenas selecionar as obras, mas estabelecer relações entre elas, construir um discurso e definir como o público irá percorrer e interpretar aquele conjunto. Esse trabalho envolve pesquisa, sensibilidade e posicionamento crítico, já que cada escolha, do recorte temático à disposição das peças, influencia diretamente na forma como a arte será percebida. Nesse contexto, a curadoria também atua como mediadora entre artistas e público, ampliando leituras e provocando reflexões sobre o tempo, a cultura e as questões que atravessam a sociedade.
A programação desta quarta integra o encerramento da mostra e amplia o debate sobre processos curatoriais, convidando o público a refletir sobre os caminhos da produção artística contemporânea.
Além da exposição em fase final, o espaço cultural mantém outras duas mostras em cartaz, oferecendo ao visitante a possibilidade de um percurso ampliado pelas artes visuais.
A gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia, Ana Amélia Fadul, destaca a importância da programação e convida o público a participar das atividades. “Receber exposições tão diversas e potentes reafirma o compromisso do Centro Cultural Banco da Amazônia com a valorização da arte e da produção cultural, especialmente da Amazônia. Estamos na reta final de ‘Uma Belém no Olhar de Alguém’, que é uma homenagem sensível à nossa cidade, e, ao mesmo tempo, seguimos com outras mostras que ampliam esse olhar sobre a arte e o trabalho no mundo. Convidamos o público a participar da mesa-redonda, a visitar as exposições e a vivenciar esses encontros que promovem reflexão e conhecimento das diferentes realidades”, declara.
Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense
Em exibição até 14 de junho, a exposição apresenta obras da Coleção Eduardo Vasconcelos, sob curadoria de Vânia Leal. A mostra reúne mais de 130 artistas, paraenses ou com forte vínculo com o estado, e percorre um arco temporal que vai de 1959 a 2026, destacando a diversidade de linguagens e gerações da produção artística na região.
“Esta exposição busca aliar poéticas diversas, perfazendo uma gama ampla de artistas, o que demonstra a qualidade artística produzida durante esse período temporal. Trazemos mais de 50 anos de artes plásticas, sendo 60 se considerarmos da obra mais antiga à mais recente. Acreditar nessa produção artística, no quanto ela representa hoje e para gerações futuras, é a força motriz que impulsionou este recorte, que tem como principal parceiro e patrocinador, o Banco da Amazônia e seu Centro Cultural”, afirma o colecionador Eduardo Vasconcelos.
A curadora Vânia Leal destaca que o projeto também tem caráter político e de reparação histórica. “Trajetórias marca um ponto importante ao reunir mais de 130 artistas com representatividade nas artes visuais do Pará, entre 1959 até o momento atual. Não se trata de uma linha do tempo, mas de um encontro de linguagens, gerações e contextos diferentes”, afirma. “O diferencial desse recorte potente é o gesto de reinscrever artistas que, por diferentes razões, foram deslocados ou silenciados, ampliando o debate crítico e sensível sobre a arte contemporânea paraense”, acrescenta.
Trabalhadores
Em cartaz até 16 de agosto no Centro Cultural Banco da Amazônia, a exposição “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, reúne cerca de 150 fotografias produzidas entre 1986 e 1992, com curadoria e design de Lélia Wanick Salgado.
Considerado um dos projetos mais emblemáticos do fotojornalismo contemporâneo, o conjunto de imagens documenta o trabalho humano em diferentes contextos ao redor do mundo, com ênfase nas atividades que marcaram um período de transição antes do avanço da mecanização.
Ao percorrer a mostra, o visitante acompanha registros que vão da agricultura e da pesca às grandes indústrias e obras de engenharia, compondo uma narrativa visual sobre o esforço humano e as transformações nas relações de trabalho.
Antes de chegar à capital paraense, pela primeira vez em uma cidade das regiões Norte e Nordeste, a exposição passou por países como Alemanha e Estados Unidos e, no Brasil, por Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Brasília.
A mostra também evidencia o desaparecimento de profissões e práticas produtivas ao longo do tempo. O produtor da exposição, Álvaro Razuk, destaca esse processo ao comentar o projeto. “É um grande trabalho coletivo, que envolveu equipes locais e nacionais. A ideia da exposição é retratar tipos de trabalho que tendem a desaparecer, como os cortadores de cana e processos industriais que hoje são automatizados”, explica.
Lélia Wanick Salgado também ressalta as transformações no mundo do trabalho ao longo das últimas décadas. “A exposição ‘Trabalhadores’ fala do mundo do trabalho, o quanto o mundo do trabalho mudou, que passou de ser um trabalho muito manual para um trabalho mais tecnológico”, declara.
Serviço:
Mesa-redonda: “Ações curatoriais”
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Av. Presidente Vargas, 800
Data: 29 de abril de 2026, quarta-feira
Horário: 17h
Inscrições limitadas: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeOLyqqSGSuK2nYJh86VMpqNJ6FkEfc2idhGr0wBRoTlqam7A/viewform
Exposição: “Uma Belém no Olhar de Alguém”
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Av. Presidente Vargas, 800
Visitação: até 3 de maio de 2026
Horários: terça a sexta, das 10h às 16h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 14h
Entrada: gratuita
Exposição: Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia (Galerias 2 e 3)
Visitação: 10 de abril a 14 de junho de 2026
Horários: terça a sexta, das 10h às 16h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 14h
Entrada: gratuita
Exposição: “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Galeria 1
Endereço: Av. Presidente Vargas, 800 – Campina, Belém (PA)
Visitação: até 14 de agosto de 2026
Horários: terça a sexta, das 10h às 16h; sábado, domingo e feriado, das 10h às 14h
Entrada: gratuita



