SAÚDE
Melanoma: sinais na pele podem indicar câncer agressivo e ainda passam despercebidos
Diagnóstico precoce garante mais de 90% de chance de cura; médica alerta para mudanças simples que não devem ser ignoradas no dia a dia
As mortes por melanoma podem crescer 80% até 2040, segundo estimativas internacionais. O dado acende um alerta para um dos cânceres de pele mais agressivos, cuja incidência tem avançado de forma preocupante nas últimas décadas. No Brasil, esse tipo de câncer é o mais frequente entre todos os tumores, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), e os registros de óbitos por melanoma vêm apresentando tendência de alta nos últimos anos.
Em meio a esse cenário, maio, mês de conscientização sobre o melanoma, reforça a importância da informação e do diagnóstico precoce. Esse avanço está diretamente ligado a fatores como o envelhecimento da população e, principalmente, à exposição acumulada à radiação ultravioleta ao longo da vida. Apesar disso, quando identificada precocemente, a doença apresenta altas chances de cura, o que reforça a importância da atenção aos sinais.
“Muitas pessoas percebem alguma mudança na pele, mas não dão importância. O problema é que o melanoma pode evoluir rapidamente e se espalhar para outros órgãos quando diagnosticado tardiamente”, explica a médica pós-graduada em dermatologia Camila Mazza.
Ela ressalta que entre os principais alertas estão pintas que crescem ou mudam de formato, alterações de cor e presença de diferentes tonalidades em uma mesma lesão. “Manchas que coçam, sangram ou não cicatrizam, além de qualquer sinal que evolui ao longo do tempo”, adverte.
Uma forma prática de observar essas mudanças é a regra do ABCDE, que considera assimetria, bordas irregulares, cores variadas, diâmetro em crescimento e evolução. “Se algo mudou, já é motivo para investigar. O melanoma não precisa doer para ser grave”, orienta.
Exposição diária e fatores de risco aumentam o alerta
A principal causa do melanoma está relacionada à exposição inadequada à radiação ultravioleta, responsável pela maioria dos casos no mundo. Esse risco não se limita a momentos de lazer, mas se acumula no dia a dia, em atividades simples como caminhar na rua, dirigir ou permanecer em ambientes com alta prevalência de luz solar. “Um erro comum é associar o uso do protetor apenas à praia ou piscina. A radiação está presente na rotina e vai se acumulando ao longo dos anos”, reforça a médica.
Em países como o Brasil, de clima predominantemente tropical e com altos índices de radiação solar ao longo do ano, essa exposição tende a ser ainda mais intensa e frequente, muitas vezes sem que a pessoa perceba. Outro ponto que a médica chama a atenção é a forma como o sol ainda é percebido culturalmente. O bronzeado, por exemplo, costuma ser associado à beleza e estética, quando, na prática, representa uma resposta da pele a uma agressão. “Essa percepção faz com que muitas pessoas se exponham mais do que deveriam, sem a proteção adequada”, explica.
Além da exposição ao sol, fatores como pele clara, histórico de queimaduras, muitas pintas pelo corpo e casos de câncer de pele na família aumentam o risco. No Brasil, regiões com maior presença de descendentes europeus, como o Sul, tendem a registrar incidência mais elevada, mas o melanoma pode atingir qualquer tipo de pele e também acometer pessoas mais jovens.
Como se proteger no dia a dia
Camila enfatiza que a prevenção está diretamente ligada a hábitos simples que podem ser incorporados à rotina, entre eles:
• uso diário de protetor solar e reaplicação ao longo do dia;
• evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação ultravioleta atinge níveis mais intensos;
• uso de chapéus, óculos e outras barreiras físicas;
• observação frequente da própria pele;
• avaliação regular com dermatologista, especialmente para quem tem fatores de risco.
“Muitas vezes, alguns minutos por mês já são suficientes para perceber alterações iniciais”, observa.
O melanoma pode evoluir de forma silenciosa e rápida, mas, quando identificado no início, tem altas chances de cura. “A pele dá sinais. O importante é não ignorar mudanças que podem parecer simples, mas fazem toda a diferença no diagnóstico”, finaliza.
Dra. Camila Mazza é médica pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica. Cursa especialização em
Laser, Cosmiatria e Procedimentos, além de atuar como preceptora de pós-graduação em Dermatologia.
Com atualização científica contínua, participa de congressos e treinamentos nacionais e internacionais. Tem
atuação focada em tecnologias a laser e tratamentos minimamente invasivos, com abordagem baseada em
evidências e foco em resultados naturais. Integra o corpo clínico da SkinLaser e do Caroline Aguiar Institute,
referências em dermatologia e estética médica em São Paulo. | @dracamilamazza



