SAÚDE
Muito além do cansaço: o que o sono ruim está fazendo com sua saúde sem você perceber
Irritabilidade, estresse, memória falha, baixa imunidade, ansiedade e depressão. Esses sintomas podem estar ligados a um problema comum, mas muitas vezes negligenciado: a má qualidade do sono. De acordo com uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 72% dos brasileiros relatam alterações como insônia, dificuldade para dormir ou sono fragmentado.
O impacto vai além do cansaço. Um estudo publicado pela Harvard Medical School mostra que quem dorme menos de 6 horas por noite tem um risco até 4 vezes maior de desenvolver resfriados e infecções em comparação com quem dorme entre 7 e 8 horas. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o sono inadequado é um dos fatores que mais contribuem para o aumento dos casos de depressão e ansiedade no mundo, especialmente após a pandemia.
A médica Bárbara de Alencar, da Hapvida, reforça que o sono precisa ser tratado como parte essencial da saúde. “Não é apenas um momento de descanso. É o ato durante o qual o corpo se recupera, o sistema imunológico se fortalece e o cérebro organiza as memórias e as emoções. Dormir bem é uma base para o equilíbrio físico e mental”, afirma.

Segundo a especialista, a privação crônica pode desencadear ou agravar diversos problemas. “Pessoas que dormem mal têm mais chances de desenvolver hipertensão, diabetes, obesidade, além de apresentar maior vulnerabilidade emocional. É um efeito dominó que compromete o funcionamento do corpo como um todo”, explica.
Para ela, é comum que o paciente ignore os sinais, considerando normal estar sempre cansado ou dormir mal por causa da rotina. “Mas quando isso se repete por muitas noites, começa a afetar o humor, o rendimento no trabalho, os relacionamentos e até o sistema imunológico. Esse é o momento de procurar ajuda médica.”
Ainda segundo Alencar, muitos pacientes relatam dificuldade para pegar no sono, acordam várias vezes durante a noite ou têm um sono tão leve que não se sentem descansados ao amanhecer. “Se a pessoa acorda exausta, mesmo dormindo por várias horas, esse sono não está sendo reparador. É um sinal de que algo não está funcionando bem.”
Além das causas fisiológicas, como alterações hormonais ou uso excessivo de estimulantes, os fatores emocionais estão diretamente ligados à qualidade do sono. Estresse, ansiedade, preocupações financeiras ou profissionais são gatilhos frequentes para a insônia.

Bárbara orienta que hábitos simples podem ajudar. Ter horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de telas antes de deitar, reduzir o consumo de cafeína e álcool no período noturno, manter o ambiente escuro e silencioso são práticas que favorecem o descanso. “O que chamamos de higiene do sono pode ser um primeiro passo. Mas, se os sintomas persistirem, o ideal é buscar uma avaliação médica. Dormir bem não é luxo, é autocuidado.”
A médica ainda reforça que, em alguns casos, pode ser necessário encaminhamento para avaliação com especialistas como neurologistas ou pneumologistas, ou ainda exames como a polissonografia. “O sono é um indicador silencioso da nossa saúde. Se está ruim, é porque o corpo está pedindo ajuda. E não vale esperar a exaustão para ouvir esse sinal.”




