CULTURA
Les Rita Pavone lança “¡El Rock!”: um disco para repensar o rock brasileiro direto de Belém para a América Latina
Mais do que uma banda, o Les Rita Pavone é uma verdadeira família musical. Surgido em Belém do Pará, o grupo se consolidou como um espaço coletivo de criação, trocas e experimentações sonoras. Desde sua origem, ainda em 2006, o projeto sempre teve como essência a colaboração entre músicos e compositores, refletindo a diversidade cultural e musical da capital paraense.
Atualmente formado por Gabriel Gaya (voz e composição), Arthur da Silva (violão, voz, teclado, cavaquinho e produção), Helênio Cézar (baixo), Jimmy Góes (guitarra) e Luiz Otávio de Moraes (bateria), o Les Rita carrega mais de uma década de história, com diversas formações que deixaram suas marcas no repertório e na identidade do grupo.
Musicalmente, a banda transita livremente por uma ampla paleta de ritmos: do rock ao brega, do bolero à bossa, do reggae ao soul, filtrando todas essas referências pelas vivências culturais de Belém, uma cidade que é, por si só, um caldeirão de sonoridades amazônicas, caribenhas e urbanas.
Depois de um EP, dezenas de singles, festivais, participações na mídia e shows que ajudaram a fortalecer a cena musical independente de Belém, o grupo dá um passo decisivo na sua trajetória: o lançamento de seu primeiro álbum completo, intitulado “¡El Rock!”, disponível em todas as plataformas de streaming a partir do dia 30 de maio de 2025, pelo selo Maxilar Music, do músico e produtor Gabriel Thomaz.
O trabalho chega como uma verdadeira provocação sonora. Mais do que um disco de rock feito no Brasil, “¡El Rock!” é uma proposta de desconstrução do formato tradicional do rock brasileiro, que costuma se apoiar em padrões do pop rock radiofônico nacional. Ao contrário, o álbum se volta para o universo do rock latino-americano, abraçando outras linguagens, ritmos e referências.
“É um disco que parte muito mais de uma concepção de rock latino-americano, que não se prende ao formato tradicional do rock brasileiro. Ele mistura outros ritmos, outras linguagens, e propõe uma sonoridade mais livre e diversa”, explica Gabriel Gaya, um dos vocalistas da banda.
Gravado entre 2022 e 2024, o disco carrega a memória afetiva e criativa de toda a história do grupo. Algumas faixas foram compostas ainda por ex-integrantes, que, mesmo fora da formação atual, seguem colaborando. Um exemplo é a faixa instrumental “Chinatown”, composta pelo primeiro baterista da banda, Mael Anhangá, e que atravessou gerações do grupo até ser finalmente registrada em estúdio.
O espírito coletivo do Les Rita Pavone está presente em todo o álbum. Além dos atuais membros, participam do projeto músicos como Theo Silva (trompete), Douglas Silva (Dodô) e Larissa Mê (percussões), além dos ex-integrantes Matheus Moura e Rafael Pavone, que assinam composições e gravaram vocais em todas as faixas.
“Esse disco tem uma missão dupla. Primeiro, condensar esses 12 anos de banda, de história, de estrada. E, segundo, propor um olhar diferente para o rock brasileiro. É um disco feito aqui em Belém, mas que dialoga muito mais com o rock da América Latina do que com o padrão de pop rock brasileiro”, reforça Gabriel.
O nome do disco, com as exclamações características da língua espanhola — “¡El Rock!” —, não é um mero detalhe estético. É uma escolha consciente, uma declaração de pertencimento à América Latina, um gesto simbólico que mira para além das fronteiras do Brasil.
A ideia de misturar o rock com outros ritmos já estava presente no embrião do projeto. Após o lançamento do EP “Voltar a Viver” em 2017, o grupo começou a gestar um primeiro disco com o conceito de “El Baile Rock”, que acabou não se concretizando naquele momento devido às mudanças de formação. No entanto, a essência daquele projeto foi atualizada, ampliada e transformada no que hoje se concretiza como “¡El Rock!”.
Ao longo dos anos, o Les Rita Pavone dividiu palco com nomes importantes da cena local e nacional, como Feira Equatorial, Bando Mastodontes, Lariza, Buscapé Blues, Lari Xavier e Farofa Tropikal, além de participar de festivais como o Projeto Circular, Festival Apoena, Noites Clandestinas, Okpobrefest e Festival Outra Coisa, sendo que esses dois últimos foram produzidos pela própria banda. Também foram destaque em programas da Rede Cultura, como o Protótipo e o Sem Censura, além de veículos especializados como Pop Fantasma e Showlivre.
Agora “¡El Rock!” chega como uma celebração de toda essa trajetória, mas também como um manifesto musical. Um convite para repensar o que se entende por rock brasileiro, olhando não só para o eixo Rio-São Paulo, mas sobretudo para o Norte, para o Caribe, para a Amazônia e para toda a riqueza sonora da América Latina.



