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ECONOMIA PARAENSE

Ouro verde do Pará: Pequenos produtores de pupunha conquistam o mundo

De comunidades rurais do nordeste paraense às prateleiras internacionais, o fruto tem impulsionado a economia local e gerado esperança para centenas de famílias.

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Em assentamentos e pequenas propriedades de São João de Pirabas, Castanhal e Bragança, produtores de pupunha assistem a um salto nas exportações: de 500 toneladas em 2022 para mais de 1.200 toneladas já negociadas em 2025. O crescimento, segundo especialistas, reflete não apenas a alta demanda por alimentos saudáveis na Europa e nos EUA, mas também a qualidade singular do fruto cultivado em solos paraenses.

Raízes na terra e no trabalho familiar

“Começamos com pouco mais de 200 pés em 2018”, conta Maria de Nazaré Silva, de 42 anos, moradora de Santo Antônio do Tauá. Hoje, sua Cooperativa de Agroextrativismo reúne 58 famílias que compartilham técnicas de manejo sustentável e dividem equipamentos de colheita.

O plantio de pupunha exige poucos insumos químicos e valoriza o manejo agroflorestal, promovendo a recuperação de áreas degradadas e a conservação da biodiversidade local.

Números que surpreendem

De acordo com dados da Sepror (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca), as exportações de pupunha do Pará saltaram de R$ 3,2 milhões em 2022 para R$ 8,7 milhões em 2024. A expectativa para 2025 é ultrapassar os R$ 12 milhões.

Analistas apontam que a fibra e os antioxidantes presentes no fruto tornaram-no um item de alto valor agregado nos mercados de produtos saudáveis e gourmet.

Impacto social e perspectivas

Jovens que antes migravam para a cidade agora encontram no campo uma alternativa de renda e um projeto de vida. É o caso de José Carlos, 25, que voltou de Belém para implantar uma mini-unidade de beneficiamento e embalagem em Castanhal.

A prefeitura de Bragança lançou, em março, um programa de crédito orientado para agroindústria familiar, destinando até R$ 50 mil por grupo para aquisição de estufas, máquinas de pasteurização e caminhonetes para transporte.

Desafios e próximos passos

Logística ainda é gargalo: as estradas vicinais – muitas ainda de terra – encarecem fretes e elevam perdas pós-colheita.

Técnicos da Emater-PA trabalham em projetos de coleta cooperada, com pontos de recepção em quatro polos regionais. A meta é reduzir em 30% as perdas até o fim de 2025.


O percurso do pupunha, do rincão paraense aos mercados globais, reflete não só uma oportunidade de negócio, mas também o poder transformador do trabalho coletivo e da agricultura familiar. Para muitos, o “ouro verde” já deixou de ser apenas uma cultura: tornou-se símbolo de renovação e esperança.

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