PARÁ
SESPA faz alerta sobre leptospirose no Baixo-Amazonas; três mortes registradas este ano em Óbidos e Santarém
De janeiro de 2020 a 31 de março de 2023, na região do Baixo-Amazonas, o município de Santarém foi o que notificou o maior número de casos suspeitos de leptospirose com 124 eventos. 91 dos casos atingiram homens (73,38%) e pertencentes a zona urbana do município (79,12%). Em 15 meses, do total de 181 casos suspeitos registrados nos municípios do Baixo-Amazonas e Tapajós, 22 pacientes foram confirmados para leptospirose.
Neste mesmo período, cinco indivíduos com média de idade de 40 anos, sexo masculino, na faixa etária economicamente ativa e residentes da zona urbana evoluíram a óbito pelo agravo em questão. Do total de óbitos registrados (5) no período mencionado, três deles ocorreram no primeiro trimestre deste ano, sendo um indivíduo residente do município de Óbidos e os demais do município de Santarém.
Em 2022, no Brasil, 3.084 casos foram notificados sendo 310 óbitos. Na Região Norte, foram 304 casos suspeitos dentre os quais 25 foram óbitos e 14 deles ocorridos no estado do Pará. Em Santarém, no ano 2022, foram registrados no SINAN o total de 109 casos suspeitos sendo 94 deles residentes do referido município e, atualmente, até 31 de março de 2023 têm-se 9 casos notificados.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA) recomenda à população não nadar, tomar banho, ou beber água doce de fonte que possa estar contaminada pela água da inundação ou urina de animais; cobrir cortes ou arranhões com bandagens a prova d’água se possível; se precisar ficar na água, utilize botas e luvas para reduzir o contato com a água contaminada; tratar a água antes do consumo, fervendo ou utilizando hipoclorito de sódio; e prevenir infestação de roedores, realizando acondicionamento adequado do lixo e evitando acúmulo de entulhos.
De acordo com nota técnica da SESPA, regional de Santarem, o Ministério da Saúde afirma que não há necessidade de confirmação laboratorial para o início da antibioticoterapia. Os casos leves seguem em tratamento ambulatorial, porém casos graves, em geral, requerem hospitalização imediata. Indica-se procurar os serviços de saúde ao se suspeitar da doença após à exposição ao risco. Profissionais da saúde devem manter-se alertas quanto a da inicial dos sintomas e a coleta de amostras em tempo oportuno para a realização de sorologia, observando-se que a produção de anticorpos pode se iniciar a partir do 7º dia de sintomas e que se a amostra estiver sido coletada em tempo anterior, dependendo do caso poderá ser necessário outra amostra para confirmação do caso.
Direciona-se as medidas de prevenção e controle nos seguintes aspectos: aos reservatórios (roedores e outros animais), à melhoria das condições de proteção dos trabalhadores expostos e das condições higiênico-sanitárias da população e às ações corretivas sobre o meio ambiente, diminuindo sua capacidade de suporte para a instalação e proliferação de roedores, além de cuidados com a água para consumo humano.
O documento orienta as autoridades de saíde a controlar os roedores (principais reservatórios da bactéria) por meio de adequado acondicionamento e destino de resíduos domésticos, armazenamento adequado de alimentos, desinfecção e vedação de caixas de água, vedação de frestas e aberturas em porás e paredes, entre outras medidas importantes na redução dos casos. É válido ressaltar que o uso de raticidas (desratização) precisa ser realizado por técnicos devidamente capacitados e treinados.
Às Secretarias de Saúde foi recomendado: Divulgar informações sobre o risco de leptospirose para a população exposta à enchente; Divulgar a necessidade de avaliação médica para todo indivíduo exposto a enchente que apresente febre, mialgia, cefaleia ou outros sintomas clínicos no período de até 30 dias após contato com lama ou águas de enchente; Alertar os profissionais de saúde sobre a possibilidade de ocorrência da doença na localidade de forma a aumentar a capacidade diagnóstica; Manter vigilância ativa para identificação oportuna de casos suspeitos de leptospirose, tendo em vista que o período de incubação da doença pode ser de 1 a 30 dias (média de 5 a 14 dias após exposição); Notificar todo caso suspeito da doença, para o desencadeamento de ações de prevenção e controle; Promover ações de educação em saúde informando a população sobre os riscos da leptospirose.
Aos profissionais da assistência pede observar: Durante a anamnese pergunte ao paciente se ele esteve em locais alagados ou se teve contato com água ou lama de enchente; ▪ Além de febre, cefaleia e mialgia, outros sinais e sintomas incluem: olhos vermelhos, vômito, diarreia e dor abdominal; ▪ Hospitalização imediata dos casos graves, visando evitar complicações e diminuir a letalidade; ▪ Realizar notificação imediata do paciente em ficha de notificação específica.



