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CURIOSIDADES

Uma década de ar-condicionado: como a tecnologia ajuda na economia de energia?

Nos últimos 10 anos, os avanços tecnológicos foram grandes aliados dos ares-condicionados, garantido economia sem abrir mão do conforto

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Foto: Freepik | Fonte: Correio Paraense

Em um país quente como o Brasil, aparelhos de ar-condicionado são os melhores companheiros para enfrentar o calor. Os equipamentos de refrigeração estão cada vez mais presentes nas casas brasileiras. Trata-se de um item indispensável, principalmente para quem mora em regiões que registram altas temperaturas. 

Só para ilustrar a popularidade do equipamento, a posse de ar-condicionado mais que duplicou entre os anos de 2005 e 2017, segundo dados fornecidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE)

Mais aparelhos significa mais uso de energia, ou seja, a demanda é maior. Ainda de acordo com a EPE, o aumento do consumo de energia para o funcionamento de ares-condicionados pode chegar a 5,8% a cada ano até 2035. 

Outro estudo da mesma entidade sobre demanda energética revela dados interessantes. Nos próximos 12 anos, o consumo em GWh (Gigawatt-hora) deve chegar a 37.622. O salto é expressivo, levando em consideração que em 2019 era de 23.654 GWh. 

Quando o assunto é demanda energética, o uso da tecnologia é a grande aliada para reduzir o consumo. Na próxima década, ela será fundamental, como foi nos 10 últimos anos. 

Digital Inverter 

A história do inverter começou em 1981, mais precisamente no mês de dezembro, graças à empresa japonesa Toshiba. Em linhas gerais, a principal função é evitar que compressor ligue e desligue frequentemente, algo recorrente em aparelhos comuns.  

A potência e a rotação dos motores são controladas de acordo com a necessidade do ambiente, podendo operar com menos força, mas sem desligar. Assim, o ar-condicionado consegue entregar mais eficiência sem afetar as contas. 

Estima-se que aparelhos fabricados com a tecnologia inverter possam gerar mais de 40% de economia, se comparados com os convencionais. A redução nos gastos pode chegar a 70% no comparativo com modelos antigos. 

Funções timer 

A função timer permite programar o ar-condicionado para ligar ou desligar em um horário específico. Ou seja, é uma maneira de diminuir o uso de energia, pois o aparelho fica ligado apenas durante o período especificado pelo usuário. 

Se o dispositivo carregar a tecnologia smart, será possível fazer a programação de horário a distância. Com isso, o morador tem a possibilidade de ligar a refrigeração antes de chegar em casa, por exemplo. 

Função sleep

Já a sleep garante que o calor não afete a qualidade do sono, ao mesmo tempo que colabora para a economia nas contas mensais. 

A tecnologia tem o objetivo de diminuir o esforço do ar-condicionado durante o período da noite. Geralmente, a temperatura aumenta gradativamente a cada hora, com o propósito de reduzir o desperdício de energia. 

Wind Free

Enquanto isso, a wind free tem a função de eliminar quase por completo os ruídos e barulhos produzidos pelo ar-condicionado. Portanto, ela garante que o ambiente fique silencioso, tornando ideal para bebês e crianças repousarem, por exemplo. 

Vale citar que a tecnologia wind free foi desenvolvida pela Samsung, marca de origem sul-coreana. O lançamento ocorreu no ano de 2017, com a premissa de criar o “clima perfeito”, eliminando a sensação de vento gelado. 

Controle por comando de voz 

Além de promover alto desempenho sem impactar no consumo, o controle por comando de voz é sinônimo de praticidade. É possível regular o aparelhos com poucos comandos, dispensando o uso do celular ou do controle do dispositivo. Basta conectar o ar-condicionado ao Amazon Alexa ou Google Assistente. 

A primeira vez que um aparelho foi comercializado contendo o controle de voz foi em 2019. A novidade chegou ao mercado por meio da LG, que introduziu a linha Dual Inverter Voice. 

A importância da eficiência energética 

Todas as inovações citadas, e algumas outras, surgiram para descomplicar o uso de ar-condicionado, sem comprometer a eficiência dos aparelhos. 

Afinal, a tarifa de energia elétrica não para de aumentar e é cada vez mais importante preservar o meio ambiente. Dessa maneira, a necessidade de aparelhos eletrônicos eficientes também aumentou. 

A eficiência energética dos ares-condicionados diz respeito à quantidade de energia que ele precisa para operar corretamente. No caso, quanto menos recursos utilizados, mais eficiente ele será. 

Só para ilustrar, o aparelho é considerado eficiente quando refrigera o ambiente em um curto espaço e sem utilizar muita energia. 

E foi pensando nisso que o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) atualizou o Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal (IDRS). A meta é trazer mais rigor e precisão à métrica de eficiência energética. 

A nova regra classifica com o selo A apenas aparelhos com a tecnologia inverter. Desde o dia 1º de janeiro de 2023, as empresas têm a obrigação de produzirem ou importarem modelos com o selo. 

O futuro da tecnologia para ares-condicionados 

A união de políticas públicas com a tecnologia é a melhor alternativa. No futuro, cada vez mais inovações integrarão equipamentos de refrigeração. A seguir, veja a fala de Arnaldo Basile, presidente da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava)

“Várias tecnologias de refrigeração vêm sendo introduzidas, com destaque para sistemas inverter, uso de gases refrigerantes que permitem operação mais eficiente, automação para ajustar a temperatura com mais precisão, materiais de melhor concepção de fabricação e operação, dentre outras, que resultam na operação final de equipamentos com maiores índices de eficiência energética e menores índices de consumo de energia”. 

Os gases refrigerantes citados por Arnaldo contribuem, e muito, para o efeito estufa. Principalmente os hidrofluorcarbonetos (HFCs), que promovem o aquecimento global. Buscando solucionar o problema, o Global Cooling Prize criou uma competição sustentável, com prêmio de 1 milhão de dólares. 

A ideia era desenvolver uma tecnologia com capacidade de emitir cinco vezes menos gases estufa por toda a vida útil do aparelho. Após quase três anos, a entidade coroou dois vencedores, de 139 inscritos. 

Conforme a urgência de mudanças e adequações, muitas novidades ainda serão incorporadas aos aparelhos de ar-condicionado nos próximos anos.

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