PARÁ
Aumento nas queimadas florestais causa destruição no Pará; o estado é responsável por 38% dos incêndios na Amazônia nesse mês
Em apenas um dia, o Inpe identificou mais de 3.300 focos – número é quase 40% maior que o de queimadas registradas no ‘Dia do Fogo’, há três anos.
Municípios como Jacareacanga, no sudoeste do Pará, estão sendo cenário de destruição com os incêndios florestais na época de tempo seco. O volume de queimadas na Amazônia preocupa ambientalistas.
Esta semana, o número de focos de queimadas bateu recorde dos últimos 15 anos. As ocorrências dispararam em agosto, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inep).
- No dia 22 de agosto deste ano, o Inpe identificou mais de 3.300 focos – o número é quase 40% maior que o registrado no “Dia do Fogo”, quando várias queimadas foram registradas na região há três anos.
- Neste mês, o Inpe registrou quase 26 mil focos de incêndio na Amazônia em 24 dias. É mais que o dobro do total de ocorrências feitas nos últimos sete meses.
- o Pará tem 38% das queimadas e a maioria das ocorrências registradas em agosto deste ano.
A Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Semas) disse que faz operação para combater crimes ambientais; já p Corpo de Bombeiros do Estado informou que os focos de incêndio estão, no momento, sob controle.

Amazônia registra 39 mil focos de incêndio desde o início de 2022
Em Jacareacanga, as chamas já se espalham por unidade de conservação estadual, criada em 2021, para proteger animais silvestres.
Segundo especialistas, o clima seco, o desmatamento, que fragiliza e transforma a vegetação em material inflamável. A falta de ações mais enérgicas de fiscalização e punição estão entre as causas do problema.
As queimadas se propagam mais rápido com o tempo seco e, segundo especialistas, são reflexo do aumento do desmatamento na Amazônia.
“É uma região onde as pessoas ainda usam muito o fogo para limpar, manejar as pastagens, então tem muitas fontes de ignição na paisagem. Isso faz com que as florestas dessa região fiquem mais vulneráveis ao fogo, mais inflamáveis”, explica Ane Alencar, pesquisadora do MapBiomas.
Em uma área de assentamento, entre Altamira e Novo Progresso, as lavouras foram destruídas pelo fogo, que já dura mais de uma semana.
Colonos que vivem do extrativismo sustentável contabilizam prejuízos: “atingiu o assentamento inteiro, 210 lotes, tudo queimado”.
“As vacas não vão mais dar leite, as plantações queimaram tudo e a gente não sabe nem como vai fazer para sobreviver”, diz colono, que preferiu não se identificar.



