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ECONOMIA PARAENSE

Carne bovina subiu quase 40% em supermercados, mercados e açougues de Belém, segundo o Dieese

Foto: Reprodução / Fonte: O Liberal

O reajuste no preço da carne bovina foi superior à inflação no último ano, estimada em 5,10% para o período. Segundo levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre março de 2020 e março de 2021, o produto ficou quase 40% mais caro nos supermercados, mercados e açougues de Belém.

Presidente da União Nacional da Indústria e Empresas da Carne (Uniec), Francisco Victer explica que, de fato, o preço da carne tem subido; embora porcos, frangos e peixes também tenham ficado mais caros, a carne bovina foi a que teve o maior percentual de reajuste, segundo ele. Apesar desta alta, o especialista lembra que Belém tem a menor alta entre as capitais do país e que o Pará não é o Estado que teve os maiores aumentos.

Na avaliação de Francisco, o que motivou este cenário foi, principalmente, a escassez de bois e vacas prontos para o abate, o que é um comportamento normal do mercado, diz ele.

“A escassez ocorre porque a pecuária obedece a um ciclo de aumento e redução do rebanho, observado a cada seis anos. Aumentando o rebanho, diminui o preço. Estamos no auge da escassez, o que aumenta esse valor. Os anos de 2019, 2020 e até 2021 têm sido de retenção de vacas. Por conta da escassez e do aumento de preços, as vacas são preservadas para produzir mais bezerros. Mas estamos no final desse período. A partir do final deste ano e no início do ano que vem vamos observar maior oferta de bezerros, com melhor preço para o produtor, o que repercute na maior oferta de bois e diminuição do preço da carne para o consumidor final”, aponta.

Embora o melhor cenário seja esperado apenas no fim de 2021, o presidente da Uniec também acredita que os preços já cairão nos próximos meses, por causa da entressafra dos produtores.

“Há um período seco, e antes disso os pecuaristas vendem o boi, porque sem capim ele perde peso, então a tendência é vender o máximo que puder antes do período seco. Na nossa pecuária brasileira, que é extensiva, ou seja, com o animal criado naturalmente, esse ciclo é normal”, argumenta. A entressafra, segundo ele, ocorrerá em maio ou junho.

O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen, atribui a alta nos preços da carne bovina à escassez de bezerros. “Para ter carne, tem que ter boi; para ter boi tem que ter bezerro. E o preço do bezerro cresceu mais de 100%, muito acima do reajuste da própria carne, inclusive. Não posso tirar essa carne hoje e vender para o frigorífico se não tenho dinheiro para comprar bezerro e fazer essa engorda”, explica.

Outro fator é a alta no valor dos insumos necessários para a pecuária, que ficaram cerca de 70% mais caros, de acordo com Guilherme. Segundo ele, isso ocorreu porque a maioria dos itens é importada e, portanto, comprada em dólar. O mercado externo também é um motivo para os reajustes, na avaliação do diretor. Mesmo que o Pará só exporte entre 20 e 25% do que é produzido, há uma pressão externa, de acordo com Minssen, e também a diferença entre o real e o dólar, que tem ficado cada vez maior. Fatores de menor importância são as altas no transporte, com o aumento dos combustíveis, e da energia elétrica.

“Nós, atualmente, estamos com o menor preço da carne do planeta. Em todo o mundo, não tem carne bovina, o que tem lá na Europa é carne suína. Existe um custo que deixa o Brasil com a carne bovina mais barata, por isso que nós somos exportadores. Há, de fato, um crescimento acima da inflação, mas nunca existiu desabastecimento no mercado, que é o pior problema, não ter mais aquele produto na prateleira”, comenta Guilherme.

O especialista informou, ainda, que o Pará tem o quarto maior rebanho do país e é produtor em larga escala, vendendo para todo o Nordeste, São Paulo e para fora do Brasil. Por conta disso, não há esse risco de escassez do produto nos açougues e mercados. Quanto aos preços, o diretor da Faepa acredita que vão subir ainda mais, por ser uma commodity procurada no mundo todo.

“É proteína. Por conta da pandemia da covid-19, as pessoas estão querendo melhorar sua imunidade. Para isso, tem que ter proteína de alto valor biológico, com várias vitaminas. Todos os aminoácidos se encontram na carne vermelha. Então, o consumo tende a aumentar, e o preço, consequentemente, também sobe”.

Já o presidente da Uniec não acredita que a exportação possa causar aumento de preços, porque, embora o Pará tenha melhorado sua participação na exportação de bovinos do país, ainda vende menos de 10% do que é produzido. “Não dá para acreditar que isso influencia 90% do mercado interno. O Pará consome apenas 30% do que produz, o restante vai para outros Estados, fica no mercado interno. A exportação pode influenciar no preço do boi e da vaca, mas não da carne”, opina.

Pesquisa

Ainda segundo o estudo do Dieese, o quilo da carne teve alta de 4,85% no primeiro trimestre deste ano, entre janeiro e março. Em relação ao avanço mensal, de fevereiro para março, o órgão aponta 1,60%. A carne bovina de primeira qualidade – incluindo coxão mole ou chã, cabeça de lombo e paulista – era vendida a uma média de R$ 25,08 em março do ano passado;, fechou o ano sendo comercializada a R$ 33,23; em janeiro deste ano custava R$ 33,62; em fevereiro chegou a R$ 34,29; e em março foi vendida a uma média de R$ 34,84.

Supervisor técnico do Dieese, Roberto Sena diz que os alimentos básicos aumentaram muito de preço no Pará – a cesta básica mais de 20%, sendo que alguns produtos tiveram reajuste até maior, como o óleo de cozinha (100%) e o feijão (50%). “É quase impossível a gente comer algo no Pará. Sendo uma terra que produz, mas falta ainda uma política agrícola mais forte para nós. A carne continua, desde o ano passado, cara. O salário encolheu, o desemprego aumentou. E a população nunca ganha”.

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