ECONOMIA
Belém sedia congresso sobre mineração e desenvolvimento na Amazônia
O Pará caminha para se consolidar, nos próximos quatro anos, como o maior produtor mineral do Brasil e um dos principais do mundo, especialmente pela abundância de minerais estratégicos como lítio, níquel, cobre e grafita — insumos essenciais para tecnologias avançadas, como veículos elétricos, celulares, computadores e até aplicações aeroespaciais.
Esse cenário e outros temas relevantes foram amplamente debatidos durante o IV Congresso Técnico promovido pelo Sindicato de Empresas Minerais do Pará, realizado no dia 15 de abril, em Belém. O evento contou com apoio institucional do Instituto Brasileiro de Mineração, Federação das Indústrias do Estado do Pará, Governo do Estado do Pará e da Agência Nacional de Mineração, reunindo autoridades, especialistas e representantes do setor mineral.
Durante o congresso, o presidente executivo do Simineral, Emerson Rocha, e o presidente do Conselho Diretor, Anderson Baranov, destacaram a necessidade de o Brasil não apenas ampliar sua produção mineral, mas também agregar valor aos recursos extraídos, investindo na verticalização da cadeia produtiva em vez de manter a exportação de commodities.
A sustentabilidade foi um dos principais eixos do evento. Os debates abordaram práticas como o uso racional de energia, a descarbonização das atividades minerárias, a reutilização de até 80% da água nos processos produtivos, o monitoramento rigoroso de barragens e a recuperação de áreas degradadas. Também estiveram em pauta temas como licenciamento ambiental, gestão de riscos, preservação da biodiversidade e a importância da segurança jurídica para atrair investimentos responsáveis.
O cenário internacional também foi analisado, com destaque para o interesse de potências como China e Estados Unidos nas riquezas minerais brasileiras. Nesse contexto, o Brasil apresenta vantagem competitiva devido à sua matriz energética diversificada e majoritariamente renovável, com fontes como energia solar, eólica, hidrelétrica e bioenergia.
Representando a ANM, o diretor José Fernando Gomes Jr. ressaltou o papel do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, no fortalecimento institucional da agência, com a ampliação do quadro de servidores e o combate ao garimpo ilegal. Ele também enfatizou a relevância da mineração para a economia nacional e, especialmente, para municípios paraenses como Marabá, Canaã dos Carajás, Parauapebas e Paragominas, que juntos respondem por cerca de um terço da arrecadação do ICMS estadual.
Outro ponto de destaque foi a análise dos impactos socioeconômicos da mineração, com ênfase na Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), na geração de empregos e nas melhorias de infraestrutura nas regiões mineradoras. Especialistas reforçaram que o setor pode ser um importante vetor de desenvolvimento regional, desde que conduzido com responsabilidade ambiental e diálogo com as comunidades locais.
Ao final, o IV Congresso Técnico do Simineral consolidou-se como um espaço estratégico para o intercâmbio de ideias e a construção de soluções voltadas ao fortalecimento da governança e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, reafirmando o papel do Pará como referência na mineração brasileira.
Da Redação do CORREIO PARAENSE/Foto: Divulgação



