ECONOMIA
Arte dos rios ganha as ruas: instituto transforma tradição ribeirinha em moda e design em Belém
A estética vibrante dos barcos amazônicos, marcada por cores intensas e letras ornamentadas, agora ganha novos formatos e públicos. Com a inauguração da sede do Instituto Letras que Flutuam, neste domingo (12), no bairro da Campina, em Belém, a arte ribeirinha passa a ocupar também o universo da moda e do design contemporâneo.
A iniciativa reúne artesãos de diversas regiões do Pará em uma coleção que traduz, em peças utilitárias e criativas, a identidade visual das embarcações da Amazônia. Camisas, agendas, cadernetas e placas pintadas à mão fazem parte do portfólio que chega ao público com forte apelo cultural e autoral.
Mais do que estética, o projeto carrega um compromisso social: garantir visibilidade e renda aos mestres abridores, artistas responsáveis pelas pinturas tradicionais dos barcos. Nesse modelo, o valor das obras retorna integralmente aos criadores.
O espaço também funciona como um ateliê aberto, onde visitantes podem acompanhar de perto o processo criativo. Entre os destaques estão as participações de Donielson “Kekel”, de Muaná, e Antônio Barata, de Vigia — dois nomes que representam diferentes trajetórias dentro do ofício.
Enquanto Kekel construiu sua carreira de forma autodidata, inspirado pelas paisagens e pelo cotidiano ribeirinho, Barata carrega uma tradição familiar de quase quatro décadas. Para ambos, o instituto representa um novo capítulo de reconhecimento e expansão.

De acordo com a pesquisadora Fernanda Martins, o interesse do público tem sido imediato. “Existe um encantamento quando as pessoas entendem que essa tipografia nasceu nos rios e agora dialoga com outros espaços”, afirmou.
A proposta do Instituto Letras que Flutuam é justamente essa: romper barreiras entre o urbano e o tradicional, levando a cultura ribeirinha a novos circuitos sem perder sua essência. Cada peça preserva traços e ornamentos que atravessam gerações, reafirmando a força simbólica dessa linguagem visual.
A inauguração integra o circuito cultural Circular Campina Cidade Velha, que mobiliza dezenas de espaços na capital paraense, reforçando o papel da região como um dos principais polos culturais da Amazônia.
Do Correio Paraense/Fotos: Reprodução




