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Orgulho autista: reconhecimento, resistência e representatividade
O Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho, vai muito além de alertar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data é um convite à valorização das diferenças, à escuta ativa das pessoas neurodivergentes e à luta pelos seus direitos. O Orgulho Autista surgiu como um movimento internacional criado por autistas para autistas, e tem o intuito de afirmar que o autismo não é uma doença, mas uma condição neurológica que faz parte da diversidade humana. A proposta é simples: pessoas autistas não devem ser apenas incluídas, mas também respeitadas e celebradas por quem são.
Apesar de avanços nas políticas públicas e no reconhecimento do TEA, a inclusão verdadeira ainda enfrenta barreiras, especialmente no acesso à educação, saúde e ao mercado de trabalho. O advogado Kristofferson Andrade, do escritório Andrade e Côrtes Advogados, alerta para a importância da informação e da garantia dos direitos já assegurados por lei.
“A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a Lei nº 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, são instrumentos fundamentais. Mas, na prática, muitas famílias ainda enfrentam resistência em escolas, planos de saúde e até mesmo no ambiente público”, afirma Andrade.
Segundo o advogado, o capacitismo, preconceito contra pessoas com deficiência, ainda é um dos maiores obstáculos. “É preciso romper com a visão de que o autista é alguém que precisa se ‘adequar’. O mundo é precisa ser acessível para todos”, destaca.
Quem entende bem a importância dessa acessibilidade é Benedita Souza, de 49 anos, mãe de João Victor, de 18 anos, diagnosticado com autismo aos 5. Moradora de Belém, ela transformou a descoberta em uma missão pessoal: ser ponte entre seu filho e uma sociedade nem sempre preparada para entendê-ló.
“No começo foi assustador, nunca senti tanto medo. Recebemos o diagnóstico e foi como entrar num mundo completamente novo, cheio de siglas, terapias e muito julgamento. Mas, com o tempo, entendi que o João não precisava ser ‘consertado’. Ele precisava ser compreendido de um jeito diferente”, conta Benedita.
“Não é só sobre aceitação, não ligamos para isso. Meu filho tem direito de existir com todas as características que só ela tem, sem precisar se esconder ou ficar se moldando para os padrões que não fazem sentido para ele”, diz, emocionada.



