BELÉM

Morre Dona Déa, referência de equilíbrio e continuidade no maior grupo de comunicação do Pará

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A morte de Lucidéa Batista Maiorana marca o fim de uma trajetória silenciosa, porém essencial, para a consolidação de um dos mais influentes grupos de comunicação da Amazônia. Em Belém, onde construiu sua vida, a ausência da matriarca da família Maiorana representa mais do que uma perda pessoal: simboliza o encerramento de um ciclo de bastidores que ajudou a sustentar décadas de história no jornalismo regional.

Viúva de Romulo Maiorana, fundador das Organizações Romulo Maiorana, Dona Déa assumiu protagonismo em um momento decisivo, após a morte do marido, em 1986. Sem ocupar cargos formais de destaque público, tornou-se peça-chave na reorganização e na continuidade dos negócios da família, atuando como ponto de equilíbrio em meio às transformações naturais de um grupo em expansão.

Nascida em Monte Alegre, no oeste paraense, em 1934, teve uma infância marcada por dificuldades e superação. Criada em um orfanato em Benevides até a adolescência, desenvolveu desde cedo características que mais tarde definiriam sua atuação: resiliência, discrição e firmeza nas decisões.

Ao lado do marido, acompanhou de perto a formação de um império de comunicação. Com sete filhos — entre eles Rômulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana — ajudou a estruturar não apenas uma família numerosa, mas também uma base sólida para a continuidade dos negócios.

Com a ausência do fundador, sua atuação ganhou ainda mais relevância. Foi ela quem contribuiu para manter a coesão familiar e dar estabilidade ao grupo, hoje consolidado como Grupo Liberal. A empresa reúne veículos como o jornal O Liberal, a TV Liberal, rádios e plataformas digitais que alcançam milhões de pessoas na região Norte.

Influência sem exposição

Dona Déa construiu uma forma própria de liderança, distante dos holofotes e baseada na presença constante nos momentos decisivos. Em um setor tradicionalmente marcado por figuras públicas e posições de destaque, sua influência se deu de maneira reservada, mas estratégica.

Sua principal contribuição foi garantir continuidade — tanto no âmbito familiar quanto empresarial — em um período que poderia ter sido de instabilidade. Ao preservar o legado do marido e fortalecer os laços entre os herdeiros, ajudou a manter intacta a base de um grupo que atravessou gerações.

A morte da matriarca representa, portanto, a perda de uma figura que atuava longe das manchetes, mas cuja importância era reconhecida nos bastidores. Sua história se confunde com a própria evolução da comunicação no Pará.

Sem buscar protagonismo, Dona Déa deixa como herança a solidez de um legado construído com discrição, firmeza e senso de responsabilidade — características que sustentaram, ao longo do tempo, uma das mais importantes estruturas de mídia da Amazônia.

Da Redação do CORREIO PARAENSE

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