BELÉM
Semeando futuros: Mulheres negras de Cotijuba celebram um ano de formação em agroecologia e justiça climática
Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) e mulheres negras encerram o projeto Semeadeiras com lançamentos e agenda política
Na semana da Amazônia, em 10 de setembro de 2025, a Ilha de Cotijuba, em Belém (PA), será palco de um encontro que une ancestralidade, ecologia e política. O Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC) realiza o evento final do projeto Semeadeiras, que ao longo de um ano mobilizou mulheres negras do território em torno da agroecologia, da soberania alimentar e da valorização de saberes ancestrais.
Mais do que marcar o fim de um ciclo, o encontro inaugura uma nova etapa de incidência política e comunitária. Na ocasião, serão lançados materiais que simbolizam e consolidam essa caminhada:
Livro “Semeadeiras”, com relatorias gráficas e escritas da formação, além de depoimentos das participantes;
Manifesto político, fruto de construção coletiva para fortalecer demandas por soberania alimentar, financiamento e políticas públicas;
Minidocumentário “Semeadeiras”, que dá voz às histórias e experiências das mulheres;
Mapa cartográfico do território, construído a partir da visão das mulheres negras de Cotijuba, com a identificação de seus quintais produtivos. O material será instalado em placas no território, reforçando o reconhecimento, a memória coletiva e a luta pelo direito à terra.
O projeto celebrou um ano de formação com foco em práticas sustentáveis e resistência nos territórios, tendo como base metodologias afro referenciadas e o diálogo intergeracional, entre mulheres negras da região.
“A gente sabe que a justiça climática não se faz sem soberania alimentar, sem escuta dos territórios e sem o protagonismo de mulheres negras. O Semeadeiras é isso: formação, mas também afeto, incidência e política de verdade”, afirmou Andréia Coutinho, diretora executiva do CBJC.
Um espaço para falar, semear e exigir direitos
O Semeadeiras surgiu como resposta à profunda desigualdade no acesso a alimentos saudáveis e ao direito à terra. Em Belém, cidade com uma das cestas básicas mais caras do país, mais de 60% dos domicílios enfrentam algum nível de insegurança alimentar, de acordo com dados recentes do VIGISAN.
O projeto formou aproximadamente 30 mulheres negras da Ilha de Cotijuba, capacitando-as em agroecologia, economia circular e incidência política, com o objetivo de construir soluções locais para problemas estruturais, fortalecendo redes comunitárias e o protagonismo feminino nas decisões que afetam suas vidas.
“Esse evento é uma forma de reconhecer e devolver ao território de Cotijuba tudo o que aprendemos com as mulheres durante a jornada formativa. Suas vivências agora estão registradas em materiais como o livro, o mapa e o minidocumentário. Mas, mais do que isso, a formação gerou impactos concretos: conseguimos conectar essas mulheres ao poder público, e ao menos seis delas conquistaram o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Cadastro da Agricultura Familiar – instrumentos fundamentais para a regularização fundiária e o fortalecimento de suas produções agroecológicas”, afirma Anne Heloise, coordenadora de educação climática do CBJC.
Da educação à incidência: Formação que busca se transformar em política pública
Como resultado da jornada formativa, as participantes construíram coletivamente o Manifesto das Semeadeiras, que será apresentado no evento a representantes do poder público. O documento reúne reivindicações concretas para garantir direitos e fortalecer a vida nas ilhas, incluindo acesso ao (CAR), assistência técnica rural de qualidade, financiamento para a agricultura familiar e políticas efetivas de segurança alimentar.
O momento de leitura pública do manifesto será também um espaço de diálogo com representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (EMATER-PA), da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) e com mandatos legislativos, como o da deputada estadual Lívia Duarte e da vereadora Vivi Reis. Também participarão articuladores da formação, entre eles o Coletivo Miri, o Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB) e o Palmares Lab.
SERVIÇO
📍 Onde: Evento final do projeto Semeadeiras com lançamento de livro, manifesto, documentário e mapa
📆 Quando: 10 de setembro de 2025 (quarta-feira)
🕘 Horário: das 9h às 16h
📌 Local do evento: Sede do MMIB (Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém). Av. Governador Magalhães Barata, 935. Ilha de Cotijuba. Belém (PA).
Realização: Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC)
Apoio: MMIB, Coletivo Miri, Palmares Lab
⚠️ O evento é fechado para convidados. Jornalistas que desejarem mais informações ou confirmar presença podem entrar em contato com a assessoria de imprensa.