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Marajó Resiliente avança na construção coletiva de planos quilombolas e de gênero no arquipélago amazônico
O Projeto Marajó Resiliente (PMR), iniciativa realizada Fundación Avina, em parceria com a Apó Socioambiental, e em articulação com lideranças locais e diversas organizações da sociedade civil, promove neste mês de setembro dois encontros estratégicos que marcam uma nova etapa na construção coletiva de soluções para a crise climática e o fortalecimento das comunidades no arquipélago do Marajó.No dia 12 de setembro às 9h, em Salvaterra (PA), acontece a 3ª Reunião da Sala de Situação de Gênero, espaço voltado para monitorar e potencializar a participação ativa das mulheres nas ações do projeto. E no dia 13 de setembro, a Comunidade Quilombola de Siricari recebe o 4º Encontro da Sala de Situação Quilombola, reunindo as organizações que integram o Comitê de Implementação do projeto.
A 3ª Sala de Situação de Gênero é um momento de afirmação do protagonismo das mulheres no projeto Marajó Resiliente. Neste encontro, será apresentada a primeira estrutura refinada do Plano de Ação de Gênero, documento que nasceu na fase de concepção do projeto e foi aprimorado a partir das contribuições das mulheres em espaços de escuta qualificada, como as próprias Salas de Situação de Gênero. Essa nova versão do plano sistematiza demandas, preocupações e propostas que emergem das vivências e vozes das mulheres nos territórios, orientando ações concretas para que a implementação do projeto seja sensível às desigualdades de gênero e promova a equidade. Ao reconhecer e incorporar essas perspectivas, o projeto busca fortalecer a atuação das mulheres como lideranças, promotoras de conhecimentos e agentes de transformação. Assim, a 3ª Sala de Situação de Gênero é um espaço de construção coletiva que amplia a participação das mulheres nas decisões e na formulação de soluções para os desafios climáticos enfrentados pelos territórios.
“Para o projeto, esse momento simboliza o reconhecimento da escuta ativa, da mobilização comunitária e da valorização dos conhecimentos das comunidades quilombolas. É também uma oportunidade de fortalecer alianças e reafirmar o protagonismo das comunidades quilombolas na construção de soluções resilientes para o território.”, afirma Lara Vaz Consultora de Gênero e Diversidades por Alianza Biomas do Projeto Marajó Resiliente.
Já a 4ª Sala de Situação Quilombola representa um marco estratégico no projeto Marajó Resiliente. É o momento de devolutiva e consolidação dos resultados construídos coletivamente ao longo das atividades realizadas nos territórios quilombolas, como as oficinas de cartografia social e os encontros anteriores da Sala de Situação. Durante o encontro, será apresentada a primeira estrutura do Plano dos Povos Quilombolas, um documento fundamental que expressa as prioridades, preocupações e propostas das comunidades, construído de forma participativa com os quilombolas e organizações parceiras. Esse plano tem potencial para se tornar um dos principais instrumentos de governança no projeto, orientando ações, monitoramento e tomada de decisão ao longo da implementação.
“O Plano Quilombola consiste no conjunto de princípios, diretrizes e ações de desenvolvimento, gestão e governança do Projeto Marajó Resiliente nos territórios quilombolas onde o projeto está sendo implementado. Reúne meses de escuta com as comunidades sobre a realidade dos territórios e o projeto.”, Destaca Sabrina Mesquita, Coordenadora de Projetos Apó Socioambiental.
Desde seu início, o projeto já beneficiou diretamente mais de 1.130 pessoas e 14.400 indiretamente, em comunidades quilombolas e tradicionais nos municípios de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari. Entre os resultados alcançados estão a implementação de sistemas agroflorestais, capacitações em adaptação climática e mapeamento participativo de mais de 500 hectares de áreas produtivas e de proteção.
O Marajó Resiliente atua no maior arquipélago flúvio-marítimo do mundo, envolvendo comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares em estratégias integradas de agroecologia, adaptação climática, mapeamento participativo e incidência política. Com apoio de organizações locais, regionais e nacionais, o projeto se tornou referência em processos de escuta ativa e fortalecimento territorial.
Sobre o projeto Marajó Resiliente
O Projeto Marajó Resiliente é uma iniciativa dedicada a fortalecer a resiliência climática de agricultoras, agricultores familiares e comunidades tradicionais do arquipélago do Marajó, no Pará. Atuando nos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, o projeto busca fortalecer estratégias de adaptação climática a partir do território, aliando saberes locais, práticas agroecológicas e assistência técnica especializada.
A iniciativa é realizado pela Fundación Avina, em colaboração com o Instituto Belterra e o Instituto Conexsus, com a implementação do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), da World-Transforming Technologies, da Apó Socioambiental e da Angola Comunicação, nos processos de comunicação, e é financiado pelo Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF) e Climate and Land Use Alliance (CLUA).Sua base está na adaptação climática, implantação de sistemas agroflorestais, acesso a crédito rural, diversificação de renda, e fortalecimento da governança climática local. Ao longo de cinco anos, o projeto foi elaborado de forma participativa, envolvendo comunidades quilombolas, organizações locais e instâncias públicas. E sua execução prevê cinco anos de atuação em Cachoeira do Arari, Salvaterra e Soure, no arquipélago do Marajó.