SAÚDE

Câncer de pênis: amputação do membro acontece em 1 a cada 4 casos; como se precaver

A maior arma para combater o aumento de casos do câncer de pênis é a informação e a conscientização de homens de todas as idades

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O câncer de pênis é uma condição séria e pouco discutida, que afeta milhares de homens em todo o mundo.

Para se ter uma ideia, estima-se que esse tipo de câncer tenha acometido pouco mais de 10 mil homens do Brasil nos últimos 5 anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Esses dados colocam o Brasil junto de países como Quênia, Uganda, Egito e Índia, nações onde o câncer de pênis tem números mais altos no mundo.

Apesar de ser um assunto delicado, é essencial revisitar informações relevantes sobre esse problema para conscientizar e prevenir o seu surgimento. 

Neste artigo, vamos abordar os principais aspectos relacionados ao câncer de pênis, incluindo suas causas, sintomas, métodos de diagnóstico, prevenção e opções de tratamento.

O que é e o que causa o câncer de pênis

O câncer de pênis é uma neoplasia maligna que se desenvolve no tecido do pênis. Embora seja considerada rara, essa enfermidade afeta milhares de homens todos os anos. 

Diversos fatores de risco têm sido associados ao seu surgimento, incluindo má higiene, falta de circuncisão, infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV) e tabagismo. 

A falta de higiene adequada, especialmente a acumulação de esmegma – uma secreção branca que se acumula sob o prepúcio -, pode favorecer a ocorrência de infecções crônicas e inflamações, aumentando o risco de câncer de pênis. 

A ausência de circuncisão também tem sido apontada como um fator de risco, pois o prepúcio pode acumular agentes infecciosos e facilitar a proliferação celular descontrolada. 

Além disso, o HPV, um vírus transmitido principalmente por contato sexual, está fortemente associado ao câncer de pênis. 

Por fim, é válido citar que estudos mostram que o tabagismo também aumenta o risco de desenvolver essa doença, devido aos compostos químicos tóxicos presentes no cigarro. 

A conscientização sobre esses fatores de risco é o primeiro e mais importante passo para a prevenção do câncer de pênis e a redução da sua crescente incidência.

Como saber se tenho câncer de pênis?

Identificar precocemente os sinais e sintomas do câncer de pênis é fundamental para um diagnóstico rápido e um tratamento eficaz. 

Os sinais iniciais podem incluir mudanças na cor da pele do órgão genital, como manchas vermelhas ou brancas, úlceras persistentes, feridas que não cicatrizam, endurecimento do tecido peniano e presença de nódulos. 

Além disso, os sintomas mais comuns podem envolver dor, coceira, secreção anormal, mau cheiro e dificuldade para urinar. 

Caso você identifique algum desses sinais ou apresente sintomas incomuns, é fundamental procurar um médico especializado o mais rápido possível. 

O diagnóstico da doença é realizado por meio de exames físicos, biópsia (remoção de uma amostra de tecido para análise laboratorial) e exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia computadorizada. 

É importante ressaltar que apenas um profissional de saúde devidamente habilitado pode confirmar o diagnóstico e fornecer as orientações adequadas.

Como se precaver contra o câncer de pênis?

A prevenção é uma das principais armas contra o câncer de pênis. Adotar hábitos saudáveis e medidas preventivas pode reduzir significativamente o risco de desenvolver essa doença. 

A higiene adequada do membro, incluindo a limpeza diária com água e sabão neutro, é essencial para evitar o acúmulo de sujeira e a formação de infecções. 

Além disso, a circuncisão, procedimento cirúrgico que remove o prepúcio, tem sido associada a uma redução no risco da doença, uma vez que facilita a higiene e diminui a exposição a agentes infecciosos. 

Outro grande trunfo contra esse tumor maligno é a vacinação contra o HPV, tanto para homens quanto para mulheres, pois o vírus está relacionado a diversos tipos de cânceres, incluindo o de pênis. 

Outras medidas preventivas incluem o uso regular de preservativos durante as relações sexuais, a redução do número de parceiros sexuais e evitar o tabagismo. 

Também é fundamental destacar que a adoção dessas medidas preventivas não garante a total prevenção do câncer de pênis, mas reduz consideravelmente o risco. Por conta disso, é fundamental que o paciente procure um urologista de forma regular e esteja atento aos primeiros sinais. Isso tanto para casos que variam entre a fratura peniana, doença de Peyronie, onde pode ser necessária a utilização da Técnica Egydio no ato cirúrgico para a resolução do problema, ou até o próprio câncer de pênis. 

Opções de tratamento para o câncer de pênis

O tratamento do câncer de pênis varia de acordo com o estágio da doença e outros fatores individuais. Geralmente, as opções de tratamento incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia. 

O procedimento cirúrgico é o tratamento mais comum para casos iniciais, e pode envolver a remoção parcial ou total do pênis (penectomia). Em casos avançados, a retirada dos gânglios linfáticos afetados também pode ser necessária. 

A radioterapia utiliza radiação para destruir as células cancerígenas e pode ser realizada como terapia primária ou complementar à cirurgia. 

Já a quimioterapia, por sua vez, utiliza medicamentos para eliminar as células cancerígenas e pode ser administrada por via oral ou intravenosa. 

Recentemente, avanços no tratamento do câncer de pênis têm sido alcançados, incluindo a terapia-alvo e a imunoterapia, que visam atacar especificamente as células cancerígenas ou fortalecer o sistema imunológico do paciente. 

Além disso, é fundamental ressaltar que o tratamento do câncer de pênis não se limita apenas à abordagem médica, mas também envolve o suporte psicológico ao paciente, uma vez que o impacto emocional pode ser significativo. 

O apoio de profissionais de saúde mental e o envolvimento de familiares e amigos são essenciais para o bem-estar do indivíduo afetado pela enfermidade.

A amputação decorrente do câncer de pênis é um risco real

Em alguns casos, o tratamento para câncer de pênis envolve a amputação do órgão. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), essa consequência drástica é vista em 25% dos casos diagnosticados no Brasil todos os anos.

Também segundo a SBU, entre 2018 e 2022, foram registrados 10.359 casos de câncer de pênis no país. Destes, 2.830 resultaram em amputação do órgão.

Números alarmantes como estes só reforçam a necessidade de conscientização e prevenção desse tipo de neoplasia maligna, que pode ser feita com a adoção de hábitos simples.

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