SAÚDE

Outubro Rosa: diagnóstico precoce pode salvar vidas

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Foto: Reprodução | Fonte: NM Comunicação

“Na hora do diagnóstico senti muito medo e incertezas, pois eu sabia que a partir dali o caminho era desconhecido. Mas minha fé me sustentou e me deu força suficiente para seguir em frente com confiança”, relata Leine Castelo Branco, de 61 anos. A aposentada foi diagnosticada com câncer de mama em junho de 2013 após uma bateria de exames que frequentemente realizava.

O diagnóstico precoce pode ter salvado a vida de Leine, mas não é o que acontece com a maioria das mulheres no mundo todo. O câncer de mama ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil e no mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. As maiores taxas de incidência e de mortalidade estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Ainda segundo o Instituto, só em 2021, foram estimados no Brasil cerca de 66.280 novos casos de câncer.

Com dados tão alarmantes, o mês de outubro é dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama com a campanha do Outubro Rosa, que visa também compartilhar informações acerca do assunto, além de proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento, contribuindo para a redução da mortalidade. A oncologista do  Hapvida NotreDame Intermédica, Ana Paula Banhos explica como o câncer de mama se desenvolve no organismo. “A doença é a proliferação anormal das células do tecido mamário. Pode ser também alterações tanto das células do epitélio quanto de células relacionadas ao estroma do tecido da mama. Essa proliferação anormal não respeita os limites do corpo, podendo se espalhar por outros tecidos e órgãos, nesse caso, consideradas neoplasias malignas. Há também as neoplasias benignas, que também são células que se multiplicam de forma anormal, mas que não invadem outras partes do corpo”.

A oncologista ressalta que o diagnóstico começa em casa, com um autoexame das mamas e diante de qualquer alteração deve-se procurar um médico imediatamente. “Estar atento a qualquer alteração da mama leva a um diagnóstico precoce. Durante o autoexame, feito através do apalpamento dos quatro quadrantes da mama e da expressão do mamilo, podem ser identificadas anormalidades. A partir daí procura-se um médico, clínico, mastologista e até mesmo um ginecologista para realizar os exames complementares e específicos. Através do ultrassom, por exemplo, podemos identificar a categoria desse nódulo, (categoria 3 e 4 requerem atenção especial) e só assim submeter o paciente a uma biópsia para uma análise microscópica detalhada”.

Segundo a especialista, essa análise detalhada irá identificar qual o tipo de câncer está em desenvolvimento para poder direcionar o tratamento mais adequado. “Há vários subtipos de câncer de mama e o tratamento é personalizado baseado no tipo de tumor identificado. A paciente pode ser submetida a quimioterapia, radioterapia (voltada para tumores mais agressivos) e intervenções cirúrgicas (mastectomia). O tratamento pode ser iniciado de forma sistêmica ou partindo imediatamente para a cirurgia, que nesse caso, é baseada no risco que o paciente tem de desenvolver metástase (quando ocorre a migração do tumor para outras partes do corpo)”, pontua.

A aposentada Leine, apesar do diagnóstico precoce, teve que enfrentar um dos cânceres mais agressivos, o câncer de mama triplo negativo. “A partir do diagnóstico, três meses depois fui submetida à cirurgia. Só após o procedimento cirúrgico que iniciei a quimioterapia, com 8 sessões, e radioterapia, com 40 sessões. Hoje, nove anos após a descoberta do câncer, continuo fazendo acompanhamento, agora uma vez ao ano apenas. Por isso, é importante fazer os exames rotineiramente, pois as chances de cura são muito maiores”, aconselha.

Sintomas

Os principais sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama são: caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor, pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja, alterações no mamilo ou retração, e saída espontânea de líquido de um dos bicos do peito. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou na região embaixo dos braços (axilas).

Fatores de risco

Dentre os fatores de risco, que podem ser considerados evitáveis e não-evitáveis estão: lesões pré-malignas de mama, histórico de carcinoma incito, fatores genéticos (10% dos casos), obesidade, sedentarismo, bebida alcoólica, cigarro, estar com a idade acima de 50 anos, menopausa tardia e menstruação precoce (antes dos 12 anos).


Texto: Vanessa Lago

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