SAÚDE
Dia Nacional de Combate ao fumo alerta para o câncer de pulmão
Doença tem a maior taxa de mortalidade, em todo o mundo
Hoje 29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo cujo objetivo é reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. O câncer de pulmão, doença provocada pelo tabagismo, em índices de taxa de mortalidade, é o primeiro entre os homens e o segundo entre as mulheres, segundo informações do Ministério da Saúde. Em 2020, 2,12 milhões de casos novos foram identificados, sendo 1,35 milhões em homens e 770 mil em mulheres.
Segundo o pneumologista do Grupo Hapvida NDI, Dr. Walter Rodrigues, fumar é o fator de risco para desenvolver câncer de pulmão. “Uma pessoa que fuma tem 20 vezes mais chances de receber o diagnóstico de câncer de pulmão em comparação a quem não é fumante. Mas, o indivíduo não tabagista e que convive com o fumante, que fica exposto frequentemente à fumaça do cigarro, o chamado fumante passivo, também tem fator de risco aumentado. E, evidentemente, a herança genética também é um importante fator de predisposição. Por isso, é crucial perguntar ao paciente se ele fuma, se convive com fumante e sobre a presença de câncer na família, justamente para considerarmos realizar os exames de rastreio, a fim de investigar e descobrir lesões malignas em fases iniciais, visando o melhor prognóstico do paciente”, explica o especialista.
A esteticista Andrezza Batista, conta como abandonou o cigarro há 19 anos. “Tomei a decisão depois que minha filha me viu fumando. Eu fumava muito, uma carteira por dia, e eu sabia que aquilo era prejudicial pra mim, mas não queria parar. Mas eu tinha consciência que eu não podia fumar na frente da minha filha. Eu não queria influenciar. Mas aí um dia ela acordou mais cedo que o de costume e quando me dei conta ela me chamou enquanto eu estava fumando no quintal. Eu apaguei imediatamente e corri pra falar com ela. Naquele dia eu parei e nunca mais fumei”.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o câncer de pulmão foi responsável por 28.620 mortes em 2020. No fim do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis. “Para prevenir o câncer de pulmão devemos evitar seu maior fator de risco, o tabagismo, que por si só já é uma doença. É essencial saber que existem diversas estratégias, medicamentosas e não-medicamentosas para quem tem interesse em parar de fumar. E o profissional médico, pneumologista pode direcionar melhor cada indivíduo à forma mais indicada de atingir seu objetivo”, ressalta o médico.
Os sintomas costumam se manifestar mais comumente nas etapas mais avançadas da doença e se apresentam muitas vezes como tosse, geralmente associada a sangramento, falta de ar e perda de peso. “A investigação se dá através da realização de exames de imagens, como raio-x e tomografia de tórax, que é um exame ainda mais acurado para visualização dos pulmões. E quando há presença de massa ou nódulo com suspeita de malignidade é indicado a biópsia da lesão para análise tecidual, e somente então comprovação diagnóstica.
Daí, o tratamento vai depender fundamentalmente do estágio da doença e da situação clínica do paciente. Em fases iniciais, em que o tumor está localizado e havendo boas condições do paciente para realização da cirurgia, tem-se por vezes a finalidade curativa. Já em outros casos são priorizadas abordagens terapêuticas como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. Há também a possibilidade de associação de tratamento, como por exemplo o paciente é submetido a cirurgia e posteriormente a sessões de quimioterapia. Cada caso é um caso e as abordagens são todas sempre individualizadas.”, destaca Dr. Walter.
Quanto ao prognóstico, o especialista revela que as estimativas são negativas. “A taxa de sobrevida relativa em cinco anos é de 18%. Apenas 16% dos cânceres são diagnosticados em estágio inicial, quando o tumor está localizado e quando há mais chances de cura. Nesses casos a taxa de sobrevida é de 56%. Então a gente tem uma diferença muito grande entre o que esperar para os pacientes que descobriram a doença em uma fase inicial, para os que descobriram a doença em uma fase mais avançada”, finaliza.
Texto: Vanessa Lago – Jornalista