SAÚDE
Os males escondidos na dependência na terceira idade
Um risco oculto que demanda atenção especial, em uma sociedade que tende a ter mais pessoas idosas a cada ano
O último caderno sobre Envelhecimento e Saúde da pessoa idosa, do Ministério da Saúde, traz um dado importante: estima-se que até 2050 existam cerca de dois bilhões de pessoas acima dos 60 anos no mundo e no Brasil, esses dados são de 17,6 milhões de pessoas. Esses números são resultado da queda de fecundidade e mortalidade, consequentemente, o aumento no tempo de vida.
Mas envelhecer está ligado a vários fatores positivos e negativos, como é o caso da dependência química na terceira idade. Infelizmente essa realidade é parte dos 17% de pessoas ao longo dos 60 anos que fazem mau uso do álcool, e medicamentos.
Vários são os fatores que podem influenciar direta ou indiretamente no abuso químico. Desde consumos precoces, que iniciaram ainda na juventude a consumos desenvolvidos na idade avançada. Isolamento, baixo nível de escolaridade, aposentadoria, violência física/ psicológica, rupturas familiares, perdas significativas, debilidades, enfermidades, abuso de medicamentos, etarismo e falta de respaldo social e familiar são alguns dos fatores que se apresentam para o desenvolvimento deste problema.
Na Clínica Voo de Liberdade, um trabalho que vai além do cuidado com o paciente é desenvolvido também com os familiares, para que assim toda uma cadeia possa ser cuidada e sarada, visto que a dependência química é uma doença crônica, que não tem cura mas pode ser controlada. A enfermeira responsável técnica da clínica, Adria Almeida, explica o trabalho feito com os familiares. “Trabalhamos com os familiares a importância de estar junto ao paciente idoso dependente químico, onde os cuidados vão além. Os reflexos da dependência química podem gerar desgastes não só ao paciente, mas também aos seus familiares, por isso trabalhamos para que a família seja um elo importantíssimo durante o tratamento. Fazemos atendimentos individualizados e em grupo, permitindo que a gente conheça melhor o seio familiar do/a paciente.”
Um trabalho importante já que algumas doenças estão entre os perigos que os excessos químicos podem provocar, levando inclusive à morte. Dentre elas, hepatite e HIV, aumento dos batimentos cardíacos e pressão arterial que podem levar a um infarto e AVC, o desenvolvimento de câncer, cirrose e doenças no pâncreas e estômago.
São diversas as especialidades que atuam em conjunto em um tratamento, para que essa pessoa possa conseguir vencer uma mal que assola todas as idades e quando falamos em idosos, sabemos que demanda de uma atenção especial. “Com o envelhecimento, o metabolismo fica mais lento, o que pode inclusive aumentar a ação de substâncias químicas, além das complicações mais graves e intoxicações que podem até ser letais. A estrutura da clínica permite que a gente consiga atender o paciente idoso, buscando sempre a qualidade de vida do mesmo, dessa forma, enquanto equipe temos a possibilidade de acompanhá-lo no processo de reabilitação, e a abordagem multidisciplinar permite que consigamos atuar nas várias dimensões do/a paciente”, reforça a enfermeira.