SAÚDE
Maio Antimanicomial no Pará ocupa as ruas e a Alepa
O Movimento da Luta Antimanicomial do Pará (MLA-PA) dá início, neste mês de maio, a uma intensa programação que marca os 25 anos da Lei da Reforma Psiquiátrica Brasileira (Lei 10.216/2001). Sob o lema “Eu vejo o presente repetir o passado: a reforma psiquiátrica não acabou!”, o coletivo convoca a sociedade paraense a ocupar as ruas e a exigir justiça.
A programação deste ano ganha contornos ainda mais urgentes. O MLA-PA denuncia que quatro pacientes psiquiátricos morreram em uma das clínicas privadas que recebem recursos públicos em Belém. Os nomes não podem ser esquecidos: Michelle Margareth, Édson Clemente, Irismar Rodrigues e Heldice Baena.
“Queremos explicações pelas mortes. O Estado contrata, o privado lucra e a periferia enterra seus mortos sem velório, sem justiça e sem resposta”, brada o movimento. Para o MLA-PA, não há coincidência: “O manicômio não acabou, mudou de endereço e ganhou CNPJ”.
A denúncia se insere em um contexto de sucateamento sistemático da rede pública. “CAPS precarizados: falta de remédios, falta de água, profissionais adoecidos, rede insuficiente. Nenhum CAPS novo em mais de 20 anos. O descaso com o público é o pretexto para a entrega ao privado”, aponta o movimento, lembrando que Belém foi contemplada com verba federal para um novo CAPS III pelo Novo PAC, mas o prazo já venceu. “Cadê a obra? Cadê o serviço?”
QUEM É O MLA-PA
O MLA-PA é um dos braços mais ativos da Reforma Psiquiátrica na região Norte. Formado por profissionais da saúde, usuários, familiares e militantes dos direitos humanos, o movimento luta pela desinstitucionalização e pelo cuidado em liberdade, denunciando as estruturas manicomiais que sobrevivem em instituições privadas, nas ruas e no imaginário social. Para conhecer a fundo essa trajetória de resistência, o público pode acessar gratuitamente no YouTube o documentário “Enclausurados pelo Capital: uma luta antimanicomial”, dirigido por Ana Faleiro, militante do MLA-PA. O filme é um mergulho necessário na história e nos desafios atuais da luta por dignidade no Pará.
A PROGRAMAÇÃO DE MAIO
A agenda de 2026 foi desenhada para ser um grande movimento de memória, ocupação e incidência política. Confira:
14 de maio (quinta-feira) – Quarteirão da Liberdade
O pontapé inicial se dá com o projeto que reconta as dores da história manicomial de Belém. O encontro é às 8h, na esquina da Rua 25 de Setembro com a Rua Perebebuí, de onde parte um cortejo para marcar a memória dos horrores que não podem ser esquecidos. O percurso resgata os porões do antigo hospício que, por décadas, segregou e violentou vidas no centro da cidade. “Gritando o que não deve ser esquecido!”, convoca o movimento.
17 de maio (domingo) – Ato Público na Praça da República
“Dobramos a aposta do ano passado”, anuncia o MLA. A concentração começa às 8h em frente ao Theatro da Paz para mais uma vez ocupar a praça com um grande coletivo. O ato celebra a resistência viva da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial e defende o SUS como espaço de cuidado integral e liberdade. O movimento relembra: “Liberdade é terapêutica”.
28 de maio (quarta-feira) – Sessão Especial na Alepa
Fechando o mês, o movimento ocupa a Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) em parceria com os mandatos dos deputados estaduais Carlos Bordalo (PT) e Lívia Duarte (PSOL). A Sessão Especial, marcada para às 8h no Auditório João Batista, homenageia os 25 anos da Lei da Reforma Psiquiátrica e presta reconhecimento público aos protagonistas da luta antimanicomial paraense.
O QUE O MLA-PA REIVINDICA:
– Fim imediato do contrato com a clínica Voo de Liberdade e apuração rigorosa de todas as mortes;
– Reestatização e fortalecimento dos CAPS e SRT públicos, sob controle popular;
– Expansão da Rede de Atenção Psicossocial pública de qualidade, funcionando 24h;
– Concurso público para ampliação do quadro de trabalhadores.
Serviço:
– Programação completa: disponível nas redes sociais do MLA-PA (@mlapaoficial)
– Documentário:“Enclausurados pelo Capital: Uma luta antimanicomial” | YouTube.
Chamada final: O Maio Antimanicomial de 2026 não é apenas um calendário de lutas é um alerta. A privatização da saúde mental mata, e as quatro vidas ceifadas em Belém exigem resposta. Venha somar com a gente.
Texto: Ana Faleiro/Apoio: Marcelo Serrão/Foto: Divulgação