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Batucada Misteriosa apresenta álbum de estreia na quinta, 30 de abril
“Até Quase Morrer” chega com 12 faixas trazendo a força do Carimbó de Icoaraci
Na quinta-feira, 30 de abril, chega às principais plataformas de streaming de música Até Quase Morrer, álbum de estreia do Batucada Misteriosa. O grupo de Carimbó autoral que surgiu em rodas de Carimbó de Icoaraci e Cotijuba em 2016 traz em suas canções sua vivência e aprendizado com mestres de Carimbó ao longo dos dez anos de estrada do grupo. O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB, Secretaria de Cultura do Estado do Pará – Secult Pará, Governo do Pará, Ministério da Cultura / Governo Federal.
Com 12 faixas, o álbum se divide em dois momentos: na primeira parte, as músicas trazem a pulsação popular do Carimbó, especialmente das tradições presentes em Icoaraci e na segunda, o grupo mantém a base rítmica do Carimbó, mas dialogando com elementos do Rock, Tropicália, Manguebeat e Psicodelia, revelando a identidade sonora da Batucada Misteriosa que é um encontro entre tradição e experimentação.
“Icoaraci é um celeiro cultural que, de expressão urbana, tem tudo: escola de samba, bandas de rock, equipes de reggae, grupos parafolclóricos, batalhas de rap, boi, quadrilhas, pássaros juninos e inúmeros grupos de Carimbó com mestres atuantes em seus barracões. O Batucada Misteriosa se orgulha muito de ter no time essa miscelânea, nossa formação é composta por pessoas de diversas dessas manifestações, por isso, podemos dizer que trazemos um repertório que abraça o Psicodélico, o Rock, o Samba e, obviamente, o Carimbó como fator principal. A proposta é misturar tudo de modo que o tradicional dialogue com o contemporâneo e que o contemporâneo encontre lugar no tradicional”, revela Yuri Moreno, integrante do grupo e compositor de algumas das faixas do álbum. Entre as referências do grupo estão Mestres de Carimbó da Vila Sorriso; Mestre Dikinho; Mestre Verequete; Curimbó de Bolso; Mestra Cristina; Moraes Moreira; Djavan; Di Melo; Os Mutantes; Manguebeat; e, principalmente, Mundé Qultural, antigo grupo do Mestre Nego Ray.
Apesar de ter um repertório autoral extenso e tocar suas músicas em seus shows, o grupo nunca havia gravado suas composições. Assim, as 12 músicas selecionadas para o álbum já são cantadas por quem acompanha o Batucada ao longo desses 10 anos de estrada. As composições são de Ariel Silva, Yuri Moreno e Melk Moraes, este último já não faz parte do grupo, mas é autor das canções ‘Ritmo Quente’ e ‘Trilha Dourada’.
“Apesar de algumas dessas músicas serem antigas, tocadas nas rodas de Carimbó com o Batucada Misteriosa ou mesmo em outros grupos, todos os fonogramas do álbum são inéditos, inclusive ‘Chico Mendes’, que já lançamos uma versão em agosto de 2025, mas que agora vem com gravações extras, nova mix e master que estão dentro da sonoridade do álbum como um todo”, explica Matheus Leão, integrante do grupo, responsável pela direção musical do trabalho.
As gravações das faixas foram realizadas no Mundé Records, estúdio que funciona no Espaço Coisas de Negro, em Icoaraci. A mixagem foi feita por Félix Robatto do Pupuña Estúdio e a masterização por Fernando Sanches do Estúdio El Rocha. A produção musical de Até Quase Morrer é assinada pelo grupo, a direção musical é de Matheus Leão. O álbum conta com a participação especial de Iris da Selva nos backing vocals do álbum e violão nas músicas “Chico Mendes” e “Caçador” e Mestre Nego Ray nas maracas, clave e reco-reco.
Icoaraci / Cotijuba – Para entender o álbum do Batucada Misteriosa, é preciso mergulhar no universo de dois territórios de Belém: o distrito de Icoaraci, especialmente o Espaço Cultural Coisas de Negro, e a ilha de Cotijuba, especialmente o Chalé do Moreno. Foi nos idos de 2016, em rodas de Carimbó nesses dois locais, que surgiu o grupo. Mais do que palco, os espaços se tornaram pontos de convivência, criação e celebração do Carimbó. As travessias de Icoaraci a Cotijuba estão muito presentes no trabalho: a própria capa é inspirada no bilhete da passagem de barco entre esses territórios, simbolizando esse movimento constante entre cidade, rio e ilha. As músicas registram cenas do cotidiano amazônico, ao mesmo tempo rural e urbano: pescadores na maré, o barquinho cruzando a baía, o trapiche lotado, a praia e as rodas de Carimbó que atravessam a noite até o amanhecer. O álbum será acompanhado de um visualizer com imagens desses territórios, travessias e o cotidiano de quem vive em Icoaraci e Cotijuba.
Até Quase Morrer – O nome do álbum nasceu de uma brincadeira entre os integrantes que tocavam Carimbó com tanta intensidade que, às vezes, chegavam a sangrar as mãos ou passar mal de tanto tocar. A frase sintetiza o espírito do grupo: viver o Carimbó com entrega total.
Ao mesmo tempo, o título também dialoga com o tempo de gestação do álbum, iniciado em 2024 e finalizado apenas anos depois, quando finalmente foi possível reunir as condições necessárias para produzir o trabalho com a qualidade desejada.
Até Quase Morrer é um registro da experiência coletiva da Batucada Misteriosa e sua relação com os territórios que deram origem ao grupo, reafirmando a força das rodas de Carimbó como espaços de criação, convivência e continuidade dessa tradição.
O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB, Secretaria de Cultura do Estado do Pará – Secult Pará, Governo do Pará, Ministério da Cultura / Governo Federal.
Serviço:
O álbum “Até Quase Morrer”, do grupo Batucada Misteriosa, chega às principais plataformas de streaming nesta quinta, 30 de abril.