ESPORTES

Corridas de rua conquistam Belém e inspiram gerações a se movimentar

Modalidade cresce pelas ruas da capital paraense e transforma a vida de pessoas comuns com histórias de superação

Publicadas

sobre

As corridas de rua deixaram de ser exclusividade de atletas profissionais e se tornaram um fenômeno nas ruas de Belém. Em provas como a Corrida do Círio, Belém Night Run e Circuito das Estações, é possível ver homens e mulheres de todas as idades buscando saúde, bem-estar e superação. Dinelda Araújo, por exemplo, começou a correr após um teste de aptidão física, incentivada por seu treinador. Hoje, aos 40 e poucos anos, corre três vezes por semana e já encarou desafios como o percurso de 17 km de Ananindeua até a Basílica de Nazaré. “A emoção é ímpar, principalmente pela fé. Descobri que podemos sempre ir além do que imaginamos”, relata.

Para ela, os ganhos físicos e mentais são evidentes: “Perdi peso, melhorei a respiração, e tenho mais disposição pro dia a dia. Além disso, as corridas nos conectam com pessoas, criam laços, amizades e um ambiente saudável”. Mesmo treinando sozinha, Dinelda participa de grupos de WhatsApp e se inscreve por conta própria nas provas. Ela afirma que, com o tempo, a corrida vira hábito e os quilômetros conquistados viram parte da rotina. “A corrida mexe com todo o corpo e a mente. Dispensa até medicação”, diz.

Histórias como a do professor Paulo Marinho também revelam o poder da corrida na vida adulta. Aos, 45 anos, a corrida de rua surgiu como uma válvula de escape para o estresse da rotina profissional, mas acabou se tornando um divisor de águas em sua vida. Ex-fumante e bebedor social, ele redescobriu sua melhor forma física nas pistas e encontrou nos quilômetros percorridos não só saúde, mas também alívio para os sintomas da hiperatividade — condição que só foi diagnosticada na vida adulta. “A corrida me ajudou a dormir melhor, me concentro mais, sou mais paciente e leve”, afirma. Mesmo com uma carga de trabalho intensa, ele reserva um ou dois dias na semana para treinar, além de participar frequentemente de provas.

Sua primeira corrida foi ainda na adolescência, na Corrida do Círio de 1997, e ele voltou a correr 27 anos depois, surpreendendo-se com o resultado: 10 km em 58 minutos, praticamente o mesmo tempo da juventude. Desde então, ele já chegou a participar de duas provas em um único fim de semana. Paulo também se tornou inspiração para colegas de trabalho, que passaram a praticar atividades físicas após acompanharem seus relatos nas redes sociais. Para ele, a família é sua maior motivação — e saber que pode incentivar outras pessoas a cuidar da saúde é a energia que o move a seguir em frente, um passo de cada vez.

Ele encontrou nas corridas de rua uma válvula de escape para o estresse diário — e, de quebra, um caminho natural para noites de sono mais tranquilas. “A atividade física me equilibrou por dentro e por fora”, revela.

Seja por saúde, superação ou pela simples vontade de mudar de vida, as histórias de quem se encontrou nas corridas de rua mostram que sempre é tempo de começar. Não importa a idade, a rotina puxada ou os obstáculos do passado — movimentar o corpo é também movimentar a mente, o coração e os sonhos. E se correr ainda não for sua escolha, tudo bem: o importante é encontrar uma atividade física que te motive a levantar da cama, colocar um tênis e dar o primeiro passo. Porque o maior percurso sempre começa com a coragem de começar.

Clique para comentar
Sair da versão mobile