SAÚDE

Mais de 95 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de dor crônica

Apesar de alta demanda por médicos especializados em Clínica de Dor, são poucos profissionais atuando nessa área

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A escassez de médicos especialistas no tratamento da dor no Brasil representa uma ótima oportunidade de mercado para os profissionais que se especializarem no tema. Segundo o último Censo da Associação Médica Brasileira (AMB), de 2021, são menos de mil médicos com área de atuação em dor no País. Por outro lado, cerca de 45,59% da população brasileira, mais de 95 milhões de pessoas, sofre de dores crônicas. O dado é do estudo “Prevalência de dor crônica no Brasil: revisão sistemática” (Aguiar et al, 2021).

“O médico com atuação nessa área é o profissional qualificado para atender e acompanhar o paciente com dor crônica e, também, aqueles com dor aguda (no pós-operatório, com algum trauma, dor oncológica e outros), além dos que apresentam alterações ou disfunções relacionadas ao problema”, explica o médico Carlos Costa, professor de curso pós-graduação Clínica em Dor, na Afya Educação Médica, de Belém.

Carlos Costa dá uma dimensão do tamanho do déficit de especialistas no País. “Vamos imaginar que cerca de 100 milhões de brasileiros tenham dor crônica e que, desses, pelo menos 5% procurem um médico especialista em dor. Já seriam cerca de 5 milhões de pacientes. Não temos especialistas para suprir essa demanda”, avalia.

Ele destaca que essa é uma área que está em defasagem de profissionais pois foi negligenciada há décadas. “Hoje a especialidade surge como uma esperança de alívio para o paciente. O perfil do médico com atuação em dor pode variar de acordo com sua área de formação e sua experiência clínica. De modo geral, o profissional é capaz de conduzir o tratamento de dor da maneira mais eficiente, utilizando tratamento multimodal”, pondera.

A conduta médica consiste em associar várias terapêuticas disponíveis e eficazes no manejo da dor como: ajuste de medicações, procedimentos não invasivos, terapia por ondas de choque, ultrassom terapêutico e manipulação miofascial. Abordagens minimamente invasivas como agulhamento seco, bloqueios anestésicos, uso de toxina botulínica, mesoterapia e proloterapia também são utilizadas. Em casos mais graves ou refratários, há recursos mais complexos como implante de neuroestimuladores medulares ou bombas de infusão medicamentos contínuas. A definição vai depender do tipo de patologia do paciente e da avaliação pelo médico especialista em dor.

A atualização profissional, de acordo com o especialista, faz toda a diferença nos resultados. “O arsenal de auxílio diagnóstico atual tem grande valor, mas o método mais eficaz continua sendo um exame clínico bem-feito. Cada vez mais vemos médicos investem em treinamento e aperfeiçoamento. Um profissional atualizado e cientificamente embasado sempre terá maior capacidade de resolução”, afirma.

Diante do cenário promissor no Pará, a Afya Educação Médica lançou o curso de pós-graduação de Clínica em Dor no estado. O médico que ingressar no curso terá acesso a uma completa grade curricular teórica, além de atividades práticas por meio do programa de atendimento gratuito à comunidade. Dessa maneira, o médico tem acesso a casos reais e, em contrapartida, a população tem acesso a atendimento especializado e de qualidade.

Texto: Lucas Muribeca

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