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COLUNA | EDUCAÇÃO EM FOCO

O autismo e a educação

Foto: Reprodução / Fonte: Correio Paraense

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada 160 crianças tem o transtorno do espectro autista (TEA). Ainda que isso signifique algo comum, os estigmas, discriminação e a violação de direitos, principalmente quando se trata de receber uma educação de qualidade, é uma realidade na maioria das instituições de ensino, o que afeta a qualidade da aprendizagem e põe em risco a independência dos que possuem essa condição.

O que é o Transtorno do Espectro Autista?

Segundo o Ministério da Saúde o TEA é “um transtorno de origem neurobiológico que afeta a configuração do sistema nervoso e o funcionamento cerebral, dando lugar a dificuldades na comunicação e interação social, bem como comportamentos repetitivos e com um conjunto restrito de interesses.

As capacidades para aprender, pensar e resolver problemas das pessoas com TEA podem variar, alguns são extremamente capazes e independentes enquanto outros necessitam de constante atenção e apoio na sua rotina. Sabe-se que ainda existe dificuldade no diagnóstico, já que os especialistas necessitam observar o comportamento e o desenvolvimento da criança, porém alguns sintomas podem surgir logo nos primeiros anos de vida, um olhar atento dos pais pode ajudar nesse diagnóstico precoce.

Como apoiar um aluno com autismo?

Ter um aluno com TEA pode ser um grande desafio para a maioria dos docentes, já que não existe uma preparação específica dentro das universidades que habilite esses profissionais. Por isso hoje falaremos sobre alguns conselhos que nos ajudarão nesse aspecto.

  1. Estabeleça uma rotina: pessoas com autismo, na sua maioria, desenvolvem muito quando possuem uma rotina. Nossas aulas devem ser preparadas pensando em uma sequencia lógica e que se mantenha durante o ano letivo, isso trará uma sensação de segurança e diminuirá a ansiedade desses alunos. Uma boa ideia é montar um cartaz com os horários das atividades, exercitando inclusive a memória dos mesmos.
  2. Crie laços: é importante incluir os alunos com autismo na escola e nas atividades em sala e isso começa quando ganhamos a confiança deles. Primeiramente converse com os pais e a equipe multidisciplinar que acompanha esse estudante. Conheça-o melhor, fale com ele sobre assuntos que lhe interessa, como o cachorrinho dele, filmes que gosta e etc., aproximando-se de forma sutil e mostrando que você está para ajudá-lo a aprender.
  3. Inclua seus interesses: integre os interesses, conhecimentos e habilidades desses alunos no seu planejamento de aula afim de chamar sua atenção e criar o interesse pelo que será estudado.
  4. Seja claro: algumas pessoas com TEA tem dificuldade para comunicar e interpretar o que lhes dizem, por isso é essencial sermos claros e diretos. Devemos evitar perguntas retóricas, metáforas, ironias e orações muito complexas.
  5. Use jogos: aprenda sobre as particularidades do estudante com antecedência e elabore jogos que todas em sala possam participar. O uso de jogos de curta duração com o fim de ensinar ou fixar conhecimentos pode aproximar esses alunos nas atividades educacionais.
  6. Desenvolva seu poder de resiliência: nem tudo o que planejamos vai dar certo, procure pensar em planos B e C. Nós professores também nos frustramos quando uma aula não flui como imaginávamos, mas não desistir é o primordial dentro da nossa profissão.

Por tanto não desista de melhorar, pense nos seus alunos como um todo e em suas habilidades e dificuldades especificas. Estude e procure se capacitar sobre os Transtornos do Espectro Autista, informar-se sobre esses temas nos dará confiança para responder a altura das necessidades desses estudantes e evitará a exclusão dos mesmos do ambiente escolar.

Juliana Rocha Medeiros. Professora de Língua Espanhola.  

Graduada pela Universidade Federal do Pará. Especialista em Ensino da Língua Espanhola pela Universidade Cândido Mendes e em Metodologias Ativas e Ensino Híbrido pela Faculdade Anísio Teixeira.

Instagram: @maestrajurocha

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