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BELÉM

Sesma vacina contra Covid-19 os coveiros dos cemitérios de Mosqueiro

Foto: Reprodução / Fonte: Agência Belém

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma/DEVS) vacinou contra Covid-19 o grupo de 14 coveiros que atua nos cemitérios do Distrito de Mosqueiro. O primeiro a ser imunizado com a primeira dose da vacina CoronaVac foi  Murilo Santana. A maioria da turma tem bastante experiência na função, contudo, não esconde o medo da contaminação dado ao longo período que permanece nas necrópoles e a fatalidade da doença.

“A pandemia está deixando uma lição muito forte, mesmo pra mim que já estava habituado aos sepultamentos e encarava tudo com bastante naturalidade. Agora não, fico emocionado em ver a dor das famílias, de crianças que perderam a mãe e nós que perdemos amigos de longos anos”, conta Edilberto Barbosa, que trabalha há cinco anos no cemitério São José, na Vila, em Mosqueiro, e imunizado, na tarde desta segunda-feira, 12.

A vacinação deu alívio para os trabalhadores. A função deles é árdua. Eles contam que num período de um ano já realizaram mais de 500 sepultamentos, sendo os últimos feitos à noite, por volta de até 23h, de pacientes vítimas da Covid-19 que faleceram em Belém, mas são sepultadas em Mosqueiro.

O maior volume de sepultamentos é no cemitério de Santa Maria, em Carananduba. Por conta da pandemia, foi aberta uma nova quadra, que em tempos normais levaria em torno de cinco anos para ser totalmente ocupada.

“Mas com essa doença, tá enchendo muito rápido”, conta Luiz Bentes, há 20 anos trabalhando como coveiro. “É muito difícil, mas estamos aqui pra fazer nosso trabalho e essa vacinação é um alívio pra todo mundo”, disse.

Trabalhadores seguem medidas de proteção

Além da vacina, a Prefeitura de Belém, por meio do Departamento de Necrópoles da Agência Distrital de Mosqueiro, tem assistido o grupo com equipamentos de proteção individual, máscaras, luvas e botas. Em todas as necrópoles têm lugar apropriado para higienização antes de eles voltarem para casa.

“A gente também faz a nossa parte se protegendo, usando o equipamento, mantendo o distanciamento social e pedindo respeito ao decreto que autoriza apenas dez pessoas a acompanharem o sepultamento”, contam os trabalhadores.

Em meio a tantas histórias tristes, tem a boa notícia. Devido à alta em números de sepultamos foi preciso contratar mais gente. Foi ai que chegou a vez de Joel dos Passos Ferreira, 29 anos. Ele estava desempregado havia cinco anos. “Eu ganhei dois coisas boas: o emprego e a vacina”, contou.

Joel está trabalhando no cemitério Santo Odorico, na Baía do Sol, onde o movimento é bem menor, em ralação as demais necrópoles. E para quem ainda abusa da falta de atenção com os cuidados para se proteger da contaminação da Covid-19, os coveiros têm um recado. “A doença é fatal”, contam.

Emoção – A vacinação foi um momento de descontração para a turma e não faltaram as histórias de fantasmas, assim como os cuidados que eles terão que ter após a vacinação. A enfermeira Valéria Oliveira explicou que durante 15 dias fica proibido o consumo de bebida alcoólica e que as rações leves são naturais.

“Eu sei que é importante se vacinar, mas confesso que estou apreensivo com a reação”, disse Edilberto Barbosa. Já o colega dele, Valbison Nazareno foi acompanhado pela filha Kamile, que registrou tudo no celular para mostrar à família. “Estou feliz pelo meu pai estar vacinado”, disse a garota. 

“Estamos muito gratos pelo apoio da Secretaria Municipal de Saúde, que trouxe a vacinação para nossos trabalhadores”, completou Heloisa Andrade, diretora do Departamento de Necrópoles da ADMOS.

Há três dias, Mosqueiro não registra óbitos por Covid-19, segundo informações do diretor do Hospital Geral, Eduardo Barros, que comemora a trégua no volume de internações e mortes provocadas pela doença.

“O quadro de pacientes recuperados também é muito bom, acreditamos que isso é resultado preliminar da vacinação e também da retaguarda que organizamos para atender os casos suspeitos”, destacou. 

Por: Selma Amaral

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