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SAÚDE

Aplicação da vacina não excluirá normas de prevenção

Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo / Fonte: Pleno News

Com os avanços das pesquisas no desenvolvimento dos imunizantes e o início da fase de vacinação em massa ocorrendo em alguns países, as expectativas para o Brasil se tornam crescentes. As esperanças de pôr fim ao “novo normal” e retornar à vida pré-coronavírus são evidenciadas nas conversas em filas de mercado e nos memes compartilhados na web.

O que pouco se sabe é que, mesmo após a vacinação, ainda será necessário um tempo considerável para que a rotina do brasileiro volte a ser como antes.

– As vacinas aprovadas até o momento e que estão sendo aplicadas em outros países devem ser aplicadas em 2 doses e, segundo os calendários de vacinação, com intervalo de 1 mês entre elas. Sendo assim, são necessários cerca de 2 meses para que o indivíduo esteja imune após a aplicação da vacina – esclarece a doutora imunologista Juliana Echevarria, representante da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) na região sudeste.

Além do período necessário para que a vacina surta efeito, a taxa de imunização da população é outro fator alarmante. Uma pesquisa do Datafolha indicou que 22% da população não pretende se vacinar contra a Covid-19. Juliana Echevarria, que também é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou que a taxa de vacinação indicada para a população pode variar de acordo com o tipo de agente infeccioso. Mas para infecções respiratórias, como o caso da gripe, a taxa desejada é de 90%.

– O impacto da vacinação contra a Covid-19 seria a redução do número de hospitalizações, devido às complicações com a doença e diminuição significativa do número de mortes. Mas, se o percentual de indivíduos é baixo, devemos manter as medidas de prevenção. Ou seja, [continuar com o] uso de máscaras, a higienização frequente das mãos e o distanciamento social – afirmou.

A doutora virologista Juliana Cortines, professora da UFRJ, afirma que essa taxa de vacinação daria um grande resultado, mas concorda que ainda seria necessário a manutenção das medidas de prevenção.

– Com essa taxa, teríamos mais de 70% da população vacinada, o que seria um grande resultado. Ainda não sabemos o tempo total de proteção da vacina. Então, será necessário, sim, manter as medidas de segurança. Nesse caso, estaremos evitando mortes, o que é o principal objetivo [da vacinação], ao meu ver – explicou.

VACINA CHINESA
A mesma pesquisa, divulgada no dia 12 de dezembro, constata que, em se tratando da Coronavac, vacina produzida pela China em parceria com o instituto Butantan, a taxa de rejeição chega a 50% da população. Cortines, que também é pesquisadora voluntária da University of Connecticut, nos EUA, alerta que esse número seria insuficiente para gerar imunidade de rebanho.

– 50% da população vacinada estaria abaixo dos 70% recomendados para a imunidade de rebanho. Talvez uma boa estratégia será ter várias vacinas de diversas empresas – sugeriu Cortines.

Juliana Echevarria afirma que o baixo índice de vacinação não seria suficiente para normalizar o número de internações e a taxa de mortalidade do vírus no Brasil e alerta para que a população confie nos órgãos reguladores de saúde.

– É preciso lembrar às pessoas que a vacina não tem nacionalidade. A vacina chinesa foi elaborada a partir dos conceitos básicos da geração de vacinas, com o vírus inativado, incapaz de infectar e causar doenças. Esse tipo de técnica é comum em muitas outras vacinas do calendário vacinal básico preconizado pelo Ministério da Saúde. Se for comprovada a sua eficiência, não há motivo algum para que alguém se recuse a se vacinar.

A imunologista ainda chama atenção para o fato de que uma taxa de rejeição tão alta da vacina não afetaria somente o sistema de saúde, mas também a economia do país.

– Caso haja um baixo índice de vacinação, além dos impactos relacionados à saúde, teremos a continuidade do impacto negativo sobre a economia do país, pois será necessária a continuidade das medidas de distanciamento social e [dos] pedidos de afastamento do trabalho por parte de indivíduos doentes – concluiu Echevarria.

VACINAÇÃO EM ETAPAS
No entanto, ainda que 90% da população seja vacinada, a grande demanda pelo imunizante fará com que seja necessário um período de adaptação, mantendo as normas sanitárias.

– A vacinação ocorrerá em etapas, para imunizar os grupos de indivíduos com maior risco – seja por exposição (no caso dos profissionais de saúde) ou por risco de complicações (idosos). Mesmo que nesses grupos iniciais as taxas sejam altas, as medidas de restrição deverão ser mantidas para evitar a infecção dos grupos ainda não vacinados. E, como já mencionei, antes tudo dependerá da taxa de cobertura [da vacina] – informou a imunologista.

MUTAÇÃO DO VÍRUS
A boa notícia é que a mutação do vírus não representa grande problema para a imunização da população.

– A princípio, as mutações não impediriam o uso das vacinas. E como já temos as tecnologias das vacinas feitas, seria rápido desenvolver outras vacinas mais específicas para as outras cepas. De uma forma geral, acredita-se que as mutações geradas na cepa da Inglaterra, por exemplo, serão suscetíveis à vacina, mas, caso não sejam, é como falei: será mais fácil fazer uma nova vacina – concluiu a virologista.

Por: Pierre Borges

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