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POLÍCIA

Crescem denúncias de violência doméstica

Serviço do sudeste do Pará registrou aumento em Parauapebas e Marabá

Foto: Reprodução / Fonte: Correio De Carajás

O Disque Denúncia Sudeste do Pará acendeu um alerta nesta quarta-feira (5), ao divulgar os números referentes às denúncias envolvendo agressões contra as mulheres nesta região. Conforme a entidade, o período atípico em decorrência da pandemia de coronavírus aumentou o número de casos registrados, assim como o número de atendimentos a denúncias desta natureza.

Com a adoção das medidas de distanciamento social, orientadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mais mulheres foram obrigadas a conviverem 24 horas com os agressores, aumentando a janela de tempo que passam vulneráveis junto aos próprios companheiros.

De janeiro a julho deste ano, o serviço recebeu 4.509 denúncias relatando diversos tipos de crimes, sendo que a violência doméstica foi o quinto mais comunicado. O município que mais denunciou foi Parauapebas, somando 51% das denúncias, e os principais registros partiram dos bairros Rio Verde (11%), Liberdade II (9%), Casas Populares II (9%), Liberdade II (6%), Tropical II (4%), Cidade nova (4%), Dos Minérios (4%), Parque Carajás (4%) e Betânia (4%).

Marabá foi o segundo município a registrar maior índice, atingindo 40% das denúncias. Os bairros que mais registraram casos foram a Nova Marabá (22%) – que engloba todas as folhas, consideradas bairros menores -, Laranjeiras (8%), São Félix III (8%), Marabá Pioneira (8%), Liberdade (5%), Residencial Magalhães (5%), KM-07 (5%) e São Miguel da Conquista (5%).  

Em relação aos crimes de violência doméstica, a central de atendimento do Disque Denúncia aplica um questionário amplo aos denunciantes, o DD Mulher, onde é possível identificar, por exemplo, o perfil do agressor e em quais condições ocorreu a agressão.

Esse levantamento aponta que neste primeiro semestre de 2020, 76% das agressões contra mulheres foram praticadas pelo marido delas. Em mais 12,5% dos casos elas não residem com a pessoa que as violentou, mas estes são ex companheiros. A maior parte das vítimas também é mãe, 32%, e em 1,41% dos casos as mulheres violentadas estavam grávidas.

As violências que elas mais sofrem são a física (55%), verbal (27%), ameaça de morte (13%), sexual (2,63%) e de cárcere privado (1,75%). Para agredir estas mulheres, os homens utilizam socos, empurrões, chutes, estrangulamento, armas brancas, armas de fogo, fios e pedaços de madeira. Como aditivo, 27% deles são usuários de álcool ou drogas.

A noite é o período em que elas estão mais vulneráveis, justamente porque o casal está junto em casa. Em 27% dos casos elas são agredidas neste período. Em 15% deles as agressões ocorrem à tarde. Ter espectadores não é empecilho para que estes agressores se sintam acuados na hora de praticarem um crime e em 11% dos casos registrados havia outras pessoas presentes, na maioria dos casos os próprios filhos da vítima.

No Pará, segundo dados de julho do Fórum de Segurança Pública, os casos de feminicídio aumentaram 75% entre março e maio este ano, em comparação ao ano anterior. Por outro lado, o número de registro de violência doméstica caiu 15%. Especialistas que analisam estes dados indicam que as mulheres estão morrendo sem terem tido acesso à denúncia de episódios de violência antes do assassinato. A Secretaria de Segurança do Pará (Segup) aponta que nos sete primeiros meses deste ano o índice de feminicídio cresceu 118%, único crime violento a registrar aumento no primeiro semestre deste ano. ()

Por Luciana Marschall

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